Episodios

  • Isso aí não é monogamia?
    Jan 4 2026

    Quando eu demonstro afeto, cuidado, interesse e presença, quase sempre vem a mesma brincadeira “isso aí é monogamia”. Como se carinho, vínculo e reciprocidade fossem automaticamente sinônimos de posse, exclusividade ou prisão afetiva. Neste episódio do Viagem com a Adri, eu parto justamente desse ruído.


    A não monogamia não precisa estar atrelada à frieza, à casualidade vazia, ao desdém ou ao desinteresse. Da mesma forma, demonstrar afeto não nos coloca, automaticamente, dentro de um modelo monogâmico tradicional. O ponto central aqui é a reciprocidade. Onde há troca, é fundamental nutrir vínculos. E nutrir vínculos não pode ser um exercício exclusivo com homens.


    Também falo sobre como, historicamente, as mulheres foram ensinadas a fazer manutenção afetiva quase exclusivamente das amizades, enquanto orbitam relações afetivo-sexuais como centro da vida. Esse desequilíbrio não é natural, ele é aprendido. E enquanto isso, homens e mulheres caminham em tempos e passos diferentes quando o assunto é responsabilidade emocional, equidade e transformação das formas de se relacionar.


    Este episódio é um convite para sair dos extremos. Nem a superficialidade absoluta que descarta pessoas, nem o amor romântico que isola, apaga redes e ignora tudo ao redor em nome da instituição casal®. Falo sobre a necessidade de construirmos vínculos mais conscientes, plurais e saudáveis, que considerem comunidade, cuidado, presença e autonomia.


    Afinal, quando a gente cuida, se envolve e se responsabiliza… isso é monogamia ou é maturidade afetiva?

    Más Menos
    20 m
  • Obcecado
    Dec 11 2025

    "A carência nos faz enxergar amor onde não tem". Usando essa frase como base vamos refletir como a escassez, a negligência e o desafeto e desamor tem feitos com que as pessoas projetem na obsessão ou até mesmo na objetificação uma forma de ser amadas.

    Más Menos
    37 m
  • Mal amada
    Nov 28 2025

    No episódio “Mal Amada”, vamos refletir em como somos constantemente responsabilizadas pelo desamor dos homens. As atitudes de negligência, as rejeições, os traumas e todas as violências que atravessam a vida das mulheres em uma sociedade patriarcal acabam sempre voltando para nós sob a forma de culpa. A narrativa dominante é: se ele não te amou, se ele te tratou mal, se ele te destruiu emocionalmente, o problema é você.


    Dentro dessa lógica distorcida, somos empurradas para dois polos igualmente violentos.


    De um lado, o desespero de provar socialmente que “somos amáveis”, que “não somos mal amadas”, que alguém — de preferência um homem — nos valida. Do outro, a raiva, o ódio, a repulsa completa por tudo que remete ao afeto, como uma tentativa de autoproteção depois de tanto ferimento emocional.


    Esses dois extremos não são escolhas livres; são respostas moldadas pelo patriarcado. Ambos revelam o quanto a nossa concepção de amor foi sequestrada por uma lógica de dor, controle e validação externa. Nenhum desses caminhos é ideal, porque ambos ainda orbitam o mesmo eixo: o olhar masculino como régua do nosso valor.


    E o que seria, então, um caminho possível, saudável e verdadeiramente emancipador diante dessa dinâmica? É justamente sobre isso que eu vou falar neste episódio — sobre reconstruir o amor longe da culpa, longe da performance e longe da necessidade de provar algo para alguém. Sobre resgatar o afeto como direito e não como recompensa. Sobre voltar para nós mesmas.

    Más Menos
    29 m
  • Envelhecer em comunidade
    Nov 15 2025

    Alguns dados que eu cito neste episódio (Brasil, dados recentes):

    Duração média dos casamentos: em 2023, o tempo médio entre o casamento e o divórcio foi de 13,8 anos. 


    Sobrecarga do trabalho de cuidado: em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas – ou seja, quase o dobro, 9,6 horas a mais por semana. 


    Homens morrem mais cedo: para pessoas nascidas em 2023, a expectativa de vida média no Brasil é de 76,4 anos. Para os homens, 73,1 anos; para as mulheres, 79,7 anos – uma diferença de cerca de 6,6 anos a mais de vida para elas. 


    Mulheres como chefes de família: no Censo 2022, 49,1% dos domicílios brasileiros tinham uma mulher registrada como responsável pelo domicílio (praticamente metade de todas as casas do país). Em outra matéria de 2025: segundo o Datafolha, “7 em cada 10 mulheres são mães no Brasil e mais da metade desse contingente é solo (55%).” 


    Mães solo e abandono paterno:

    O Brasil tem cerca de 11 a 11,6 milhões de famílias formadas por mães solo, mulheres que criam seus filhos sem apoio do genitor. 


    Em 2021, 167.285 crianças foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento. 

    Más Menos
    41 m
  • Pagadores de jantares de primeiro encontro
    Oct 13 2025

    Nessa conversa, a gente vai entender um pouco do mito em torno do homem provedor, da esposa troféu, de quem paga a primeira conta e como, na realidade em que as mulheres estão cada vez mais sobrecarregadas, acumulando o triplo trabalho (profissional, doméstico e emocional), discursos como esses se tornam sedutores.

    Sedutores porque, em um país em que a mulher já é uma das principais responsáveis financeiras do lar, o mito do “homem provedor” oferece uma promessa simbólica de descanso e status, uma promessa que raramente se sustenta nos dados.


    📊 Segundo o IBGE (2024), o rendimento domiciliar per capita no Brasil foi de R$ 2.069, o maior já registrado.

    Mas entre os 50% mais pobres, a renda média por pessoa foi de apenas R$ 713.

    🔗 agenciadenoticias.ibge.gov.br


    💰 Já o rendimento médio total (de todas as fontes) ficou em R$ 3.057 em 2024.

    🔗 cnnbrasil.com.br


    👩🏽‍🦱 Quando olhamos para quem sustenta os lares, o dado é revelador:

    em 2024, as mulheres já chefiavam 51,7 % dos domicílios brasileiros, o equivalente a 41,3 milhões de lares.

    🔗 ibre.fgv.br


    Esses números mostram que a figura do “provedor” é mais um imaginário social do que uma realidade estatística.

    Enquanto o mito segue sendo vendido como um ideal de proteção e sucesso, são as mulheres que, na prática, seguram a economia real das casas brasileiras, mesmo recebendo menos, tendo menos tempo e acumulando mais funções.

    Más Menos
    43 m
  • Escolhidas pela exceção
    Sep 12 2025

    “Eu falo de todos os homens, menos do meu.”

    Para as mulheres que compreendem a problemática do amor romântico — e das performances necessárias para sustentar esse modelo já tão desgastado —, fica claro que não basta apenas trocar de parceiro para repetir a mesma fórmula mágica.


    Neste episódio, trago como exemplo dois jogadores famosos e duas influenciadoras que trocaram de par. Mas a pergunta que fica é: será que trocaram de problemas?

    Ou estamos todas apenas reciclando lixo?

    Más Menos
    25 m
  • Minha forma de ver o amor
    Aug 30 2025

    As pessoas têm muita curiosidade de como seria viver a não monogamia fora da perspectiva limitante da branquitude sobre exclusividade ou número de pares. Eu vou falar um pouco sobre meu movimento, minha trilha e meus desafios diários de enfrentar uma sociedade que naturaliza reproduzir os papéis patriarcais de gênero para formação da instituição casal monogâmica.

    Más Menos
    51 m
  • Paternidade
    Aug 17 2025

    Depois de um reels publicado pela influenciadora Bia Ben, quem abriu a discussão para esse debate que tem muitas e muitas camadas sobre o papel mitológico do homem, da ausência paterna, da irresponsabilidade e ainda assim, da hipervalorização dessa figura (muito mais simbólica do que efetivamente real) na vida ativa e plena dos filhos.

    Más Menos
    1 h y 9 m
adbl_web_global_use_to_activate_DT_webcro_1694_expandible_banner_T1