A Semana na Imprensa Podcast Por RFI Brasil arte de portada

A Semana na Imprensa

A Semana na Imprensa

De: RFI Brasil
Escúchala gratis

OFERTA POR TIEMPO LIMITADO | Obtén 3 meses por US$0.99 al mes

$14.95/mes despues- se aplican términos.

Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

France Médias Monde
Política y Gobierno
Episodios
  • 'Quem será o próximo?': imprensa antecipa alvos do 'cowboy' Trump, inclusive na América Latina
    Jan 10 2026
    As revistas semanais francesas analisam a nova ordem mundial instaurada por Donald Trump. Captura de Maduro, ameaças a Cuba, Colômbia e Irã, interesse na Groenlândia: em 2026, o magnata redefine a ordem pela imposição. Para Le Nouvel Obs, o presidente americano "aplica a lei do mais forte"; Le Point vê pragmatismo imperialista visando recursos estratégicos, e L’Express alerta para a ascensão de "um novo predador hemisférico" que impõe os interesses norte-americanos ao resto do planeta. Ao capturar o ditador Nicolás Maduro e assumir o controle da Venezuela, o presidente norte-americano, Donald Trump desrespeitou o direito dos Estados Unidos e internacional. Para a revista francesa Le Nouvel Obs, o gesto revive a tradição imperialista norte-americana e abre caminho para futuras ações em outras regiões estratégicas, como o Ártico, por meio da Groenlândia. O periódico lembra que a operação Resolução Absoluta (Absolute Resolve, no original em inglês) confirma que Trump, que se dizia pacificador, privilegia a diplomacia militar direta. O presidente segue a chamada “doutrina Trump”, concebida por seu vice J.D. Vance: primeiro, definir claramente o interesse nacional; segundo, esgotar a diplomacia; terceiro, recorrer à força esmagadora quando necessário, retirando-se rapidamente antes que o conflito se prolongue. A ação em Caracas, segundo o Le Nouvel Obs, seria "apenas a primeira de um plano mais amplo, que consolida o Ocidente sob a influência norte-americana, ignorando adversários como Rússia e China, e lembrando antigas operações secretas da CIA na América Latina". Leia tambémApetite de Trump pela Groenlândia pressiona Otan; EUA querem 'comprar' ilha, mas não descartam força militar A revista observa que a aparente obsessão de Trump pelo tráfico venezuelano contrasta com a clemência concedida ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por envio de mais de 400 toneladas de cocaína aos Estados Unidos. Para especialistas citados pela semanal, o presidente se guia unicamente pelo interesse estratégico norte-americano, visando a apropriação de recursos naturais — do petróleo venezuelano aos minerais da Groenlândia —, sob uma lógica de capitalismo agressivo e "predatório". Quem será o próximo? Para a revista Le Point, o sentimento que domina o início de 2026 é o da hybris, termo grego que significa o poder desmesurado, sem limites. Com Nicolás Maduro capturado, Donald Trump atira para todos os lados e o veículo questiona na capa: "Quem será o próximo?". A questão central levantada por Le Point é se Trump abriu uma brecha que outros atores tenderão a explorar. A revista caracteriza a postura de Trump como imperialista – e, em certos aspectos, colonial. Se houver um próximo alvo, ele provavelmente estará na América Latina, diz Le Point. O próprio presidente não esconde: “ninguém voltará a questionar a dominação norte-americana no hemisfério ocidental”. Quanto à Groenlândia, tema que preocupa governos europeus, Le Point arrisca uma hipótese: Trump fará tudo para adquirir o território – que, na visão norte-americana, também integra o “hemisfério ocidental” –, mas aposta que poderá “comprá-lo”, e não tomá-lo pela força. Resta o Irã. Para o líder republicano, seria mais vantajoso esperar um eventual colapso interno do regime do que arriscar a captura do aiatolá Ali Khamenei, mergulhando a região em um caos comparável ao do Iraque pós-2003. Leia também'Se o Brasil tivesse pressionado Maduro, cenário poderia ser outro', diz especialista No balanço de Le Point, esse início de ano reduz ainda mais as chances de Trump receber um dia o Prêmio Nobel da Paz. Em menos de 12 meses, ele autorizou mais ataques – com mísseis, bombas e drones – do que Joe Biden ao longo de todo o seu mandato. Nova ordem mundial para quem? Já a L’Express traz uma ilustração impactante: Trump como cowboy armado, com faixa estilo "Rambo", sob o título “A Nova Ordem Mundial”. Para a publicação, o sequestro de Maduro marca o advento da “lei do mais forte” e abre espaço para todas as possibilidades geopolíticas. A ação em Caracas, segundo a revista francesa, sinaliza que Trump não é mais apenas o candidato populista da campanha de 2016: ele se tornou um imperador pragmático e decidido, capaz de aplicar sua visão mesmo desorientando parte da base que esperava uma postura isolacionista. A revista destaca ainda que a Estratégia de Segurança Nacional divulgada em dezembro deixa claro o projeto do presidente: tornar os Estados Unidos a “nação mais poderosa e próspera da história” e reconquistar seu quintal histórico, a América Latina. A publicação cita a historiadora francovenezuelana Elizabeth Burgos, que observa a necessidade de Washington criar dissuasão na região para manter influência global. Medidas simbólicas, como ...
    Más Menos
    2 m
  • Hotéis de luxo, metrô e 'sexpionagem': saiba como Paris se tornou palco da espionagem global
    Jan 3 2026

    Com seus hotéis de luxo, a rede de metrô e uma localização estratégica, Paris se tornou um epicentro da espionagem, revela a revista francesa L’Express. A reportagem narra casos curiosos e aborda a “sexpionagem”, onde a sedução vira arma em operações secretas.

    Segundo a L'Express, Paris consolidou-se como o grande palco das operações secretas globais. Hotéis de luxo como o Península e o Royal Monceau tornaram-se verdadeiros quartéis-generais para encontros discretos de agentes de potências rivais.

    Recentemente, representantes da CIA, do Mossad e de países árabes se reuniram em Paris para negociar sobre a guerra em Gaza, aproveitando a neutralidade diplomática e a infraestrutura sofisticada que a cidade oferece.

    A reportagem revela episódios curiosos que reforçam o caráter singular da espionagem parisiense. O fundador do Telegram, Pavel Durov, por exemplo, foi recebido como um chefe de Estado no hotel Crillon, símbolo da importância estratégica desses palácios. Até cruzeiros pelo Sena e jantares refinados entram no jogo, usados para criar confiança e garantir negociações longe dos holofotes.

    Bastidores glamorosos e 'sexpionagem'

    Entre as práticas mais intrigantes está a 'sexpionagem', técnica que marcou a profissão até os anos 1970 e ainda resiste em versões modernas. A sedução deliberada para extrair informações confidenciais era comum em áreas como os Invalides, segundo a L’Express. Hoje, o método é associado à tecnologia: antes das reuniões, equipes realizam uma varredura do local para eliminar microfones e instalar seus próprios dispositivos.

    Com uma estimativa de até 15 mil agentes estrangeiros circulando pela cidade, Paris é descrita como um “tabuleiro de xadrez” para serviços secretos. Desde os anos 1960, pelo menos 16 assassinatos ligados à espionagem ocorreram na capital, reforçando sua reputação sombria. Entre glamour e intriga, a capital francesa segue sendo o coração pulsante da diplomacia oculta e das operações clandestinas.

    Espionagem em família

    A revista Le Point revela a história de Isabelle Pâques, filha do ex-espião francês Georges Pâques, que durante 20 anos trabalhou para a União Soviética enquanto ocupava cargos estratégicos no Ministério da Defesa e na Otan.

    Isabelle e seu filho Dimitri emigraram recentemente para São Petersburgo e receberam a cidadania russa por decreto assinado por Vladimir Putin, em uma cerimônia conduzida pelo chefe do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia (SVR), Sergueï Narychkine. O gesto, carregado de simbolismo, reforça os laços históricos entre a família e Moscou.

    Segundo a reportagem, Isabelle, que já foi candidata pelo partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, e manteve posições nacionalistas e antivacinação nas redes sociais, tornou-se uma defensora aberta da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.

    Ao deixar a França, ela levou na mala os arquivos pessoais do pai, com planos de criar um museu da espionagem onde Georges Pâques será homenageado.

    A matéria mostra como as memórias da Guerra Fria e as lealdades ideológicas continuam a influenciar escolhas familiares e políticas, misturando passado e presente em meio às tensões geopolíticas atuais.

    Más Menos
    2 m
  • Ocidente está 30 anos atrás da China, adverte pesquisador a revista francesa
    Dec 20 2025

    No fim do ano em que Donald Trump buscou aniquilar o multilateralismo, o gigante asiático se apresenta como moderador da estabilidade. Duas das principais revistas semanais francesas, a Le Point e a Le Nouvel Obs, publicam esta semana edições especiais sobre a China, com dezenas de páginas de reportagens e análises.

    Ficou para trás o tempo em que Pequim “abastecia o mundo de roupas descartáveis, brinquedos de plástico ruim e aspiradores que estragam em dois meses”. Depois de “tanto copiar” o melhor da engenharia americana e europeia, o país “hoje é potência nos setores-chave do século 21”, constata o editorial da Nouvel Obs.

    A Le Point traz uma longa entrevista com o escritor sino-canadense Dan Wang, especialista em novas tecnologias e na China contemporânea. À semanal, ele adverte: “O Ocidente se encontra na posição em que a China estava 30 anos atrás”.

    O acadêmico, que trabalhou na Universidade de Yale antes de se tornar pesquisador associado na Hoover Institution da Universidade de Stanford, compilou milhares de dados para mostrar de onde veio e, principalmente, para onde vai a China de hoje.

    Em editorial, a revista lembra que, “enquanto isso, o debate político na Europa gira em como retroceder no tempo, como se isso pudesse restaurar a antiga preeminência” do Velho Continente.

    'Quando a China despertar, o mundo tremerá'

    A Nouvel Obs relembra as palavras “proféticas” de um best-seller de 1973, do diplomata e escritor francês Alain Peyrefitte: “Quando a China despertar, o mundo tremerá". Chegamos nesse ponto, e não apenas economicamente”, indica o editorial.

    “Diante de um presidente americano febril e errático, obcecado por acordos imediatistas, Xi Jinping tem fortes argumentos para projetar sua força discreta e apresentar seu 'Império do Meio' como um pilar de estabilidade na nova desordem internacional”, afirma o texto.

    A edição especial da revista recapitula a História para demonstrar o quanto o “imperialismo chinês vem de longe, muito longe”. “O novo imperador da China, que reina desde 2012, está cada vez mais entronizado como senhor do mundo do futuro”, avalia a Le Nouvel Obs.

    Más Menos
    2 m
Todavía no hay opiniones