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Reportagens sobre exposições, concertos e espetáculos na França. Destaque para os artistas brasileiros e suas criações apresentadas na Europa. Na literatura, lançamentos e as principais feiras de livros do mundo.

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  • Museu mais visitado do mundo, Louvre cria tarifa mais cara para não-europeus e vai verificar documentos
    Jan 9 2026
    O Louvre busca reforçar suas receitas a qualquer custo. O icônico museu vai aumentar em 45% o preço do ingresso para visitantes de fora da Europa em 2026. A partir de 14 de janeiro, os visitantes que não pertencem ao Espaço Econômico Europeu (EEE), que inclui União Europeia, Islândia, Liechtenstein e Noruega, terão de pagar € 32 para percorrer os 73 mil m² do museu, € 10 a mais do que o valor atual. Questionada pela RFI, a assessoria admitiu que a entrada que dá acesso às alas terá controle de documentos. A decisão foi aprovada pelo conselho de administração do Louvre e tem como objetivo “reforçar a receita do museu”, que é um dos mais visitados do mundo. Procurada pela RFI, a assessoria de imprensa do museu afirmou não haver porta-vozes do museu autorizados a se pronunciarem sobre o assunto e que não haverá entrevistas sobre o tema. A assessoria lembrou ainda que a decisão se estende a outros locais muito visitados, dentro e fora da capital francesa, como os Castelos de Versalhes e o de Chambord, além da Saint-Chapelle em Paris, e que quaisquer outras questões poderiam ser endereçadas diretamente “ao Ministério da Cultura” da França. O curador alemão e diretor da Pinacoteca de São Paulo, Jochen Volz, comentou a decisão do museu mais visitado do mundo. “A questão dos valores cobrados como ingresso para museus é sempre uma discussão muito delicada. É importante analisá-la em conjunto com as políticas de gratuidade, meia-entrada e parcerias. Na Pinacoteca de São Paulo, por exemplo, aproximadamente 78% do público entra se beneficiando de gratuidade. Ainda assim, a bilheteria é, para nós e para todos os museus, uma fonte de receita importante”, analisou. “Entendo que o Louvre, pelo que se espera, terá um aumento de aproximadamente € 17,5 milhões por ano. Esse é um valor significativo para a manutenção do museu e para a gestão de seus acervos. Cobrar um valor diferenciado para turistas é uma forma de se beneficiar da fama do Louvre como destino. Ao mesmo tempo em que se preserva um certo nível de acessibilidade para usuários frequentes locais, estudiosos, estudantes e públicos regionais, que potencialmente visitam o museu com uma frequência muito maior”, sublinhou Volz. Quem vai pagar mais caro? Os principais grupos de visitantes estrangeiros que deverão pagar mais caro a entrada no Louvre incluem os norte-americanos, que formam o maior contingente, seguidos pelos chineses, que ocupam a terceira posição. Os brasileiros aparecem em sétimo lugar entre os visitantes extra-europeus e também serão impactados pelo aumento. A sindicalista francesa Nathalie Ramos foi uma das principais vozes denunciando as condições precárias de trabalho e a falta de respostas satisfatórias da direção do museu e das autoridades, durante a recente greve no Louvre. No caso do aumento do preço dos ingressos, ela denunciou uma política “discriminatória” e que “fere princípios de acesso e universalismo cultural”, atingindo ainda mais a imagem do museu. “A imagem do Louvre não é muito gloriosa no momento... Entre essa ideia que queremos dar do maior museu do mundo que quer implantar projetos gigantescos e a realidade dos meios dos quais dispomos, existe um enorme abismo”, disse. O galerista Philippe Mendes, um dos mais influentes de Paris e administrador de uma sala própria destinada a obras portuguesas no Louvre, comenta a tentativa institucional da gestora, Laurence des Cars, de salvar o projeto do museu para 2030. “O museu está em uma situação claramente muito tensa. Acho que o ambiente interno não é nada bom, porque, de fato, o que aconteceu [o roubo espetacular, seguido de greve] foi muito grave, e quando há algo grave assim, espera-se sempre que algumas responsabilidades sejam apuradas”, disse à RFI. Leia tambémRoubo milionário no Louvre poderia ter sido evitado, aponta relatório de segurança ignorado pela direção “Além disso, o Ministério da Cultura nomeou um homem para gerir completamente o Louvre. Ele não é militar, mas trabalhou para o Ministério da Defesa e nas obras da catedral de Notre-Dame, inclusive durante todo o atual restauro. Portanto, isso também é um sinal muito forte de que [a presidente da instituição] Laurence des Cars precisa ser mantida onde está, porque, caso contrário, não faz sentido. Para não deixá-la de fora, encontraram alguém que agora vai gerir profundamente e tentar reestruturar o Louvre, uma espécie de tutela para dar continuidade a esse grande projeto, que é o projeto 2030”, reforça. A artista Laura Lima, um dos nomes brasileiros mais proeminentes das artes visuais no mundo e atualmente em cartaz no Instituto de Artes Contemporâneas de Londres (ICA), tem uma opinião clara sobre o assunto. “Todos os museus deviam ser como as praças públicas, abertas para todo e qualquer tipo de pessoa e origem”, declarou Lima, que, ao lado de Ernesto Neto e Márcio...
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    6 m
  • Exposição em Paris equaciona diálogo entre racionalismo europeu e vitalidade tropical na arquitetura
    Jan 2 2026
    A Triptyque Architecture celebra 25 anos com a exposição Corps mort / Corps vivant, em Paris. Fundado por Olivier Raffaëlli e Guillaume Sibaud, o escritório franco-brasileiro construiu sua longa trajetória entre o rigor modernista europeu e a experimentação tropical. A mostra reúne maquetes que tensionam permanência e transformação, de ocas do Xingu a torres paulistanas, passando por uma Brasília distópica. O diálogo traduz uma arquitetura híbrida, capaz de unir tradição e futuro. Ao celebrar a trajetória, os profissionais revisitam sua história marcada pela ponte entre França e Brasil. Os arquitetos Olivier Raffaëlli e Guillaume Sibaud lembraram que essa ligação não nasceu de um plano prévio, mas de uma paixão inesperada. “Foi um amor à primeira vista no Rio de Janeiro. Sem projeto organizado de permanecer, acabamos ficando. Eu vivi 15 anos de modo permanente, sem voltar à França. Isso mostra o tamanho do vínculo com o país, onde, além de desenvolver a Triptyque, também fundamos nossas famílias, hoje franco-brasileiras”, contou Sibaud. Entre a floresta e o concreto: o Rio como manifesto Ao refletir sobre o olhar brasileiro sobre os espaços, eles destacaram a singularidade do Rio de Janeiro. “É uma cidade manifesta, inacreditável. Ela expressa o encontro entre a força da natureza e a arquitetura. No meio da cidade, há uma floresta quase nativa, confrontada com uma construção moderna e densa. Esse contraste nos inspirou a pensar a arquitetura de forma diferente, criando novos conceitos a partir dessa relação entre cidade e natureza”, ressaltou Raffaëlli. A exposição traz também uma maquete de Brasília, que provoca uma visão utópica (ou distópica) da capital. “Essa invasão da natureza nos seduz porque não foi prevista, mas negada. O modernismo afirmava o controle da natureza, impondo uma ordem cultural sobre a ordem natural. No Brasil, isso funcionou até certo ponto. A Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, por exemplo, foi construída em um morro desmatado e hoje está reabsorvida pela vegetação. Essa tensão entre vigor tropical e arquitetura humana é central. A maquete de Brasília traz ainda uma provocação: pensar a cidade permitindo o retorno da natureza e dos povos originários, revisando afirmações modernistas que foram autoritárias, ainda que belas e refinadas”, explicou Sibaud. Ao descrever a exposição, os arquitetos ressaltaram a dificuldade de traduzir maquetes em palavras, já que a arquitetura é, para eles, uma “extensão do corpo humano”. “De forma simples, a mostra se organiza em dois eixos: construções mais tradicionais e construções mais modernas. No eixo moderno, há torres de concreto e madeira, projetos urbanos. No eixo tradicional, ocas e construções menores, de poucos andares. A ideia é criar uma hibridação entre arquitetura urbana e vernacular, entre ordem artificial e ordem natural. Pensamos a arquitetura não mais como objeto morto, mas como corpo vivo, capaz de várias vidas, reciclável, sensual e menos utilitário”, detalhou Raffaëlli. Corpos mortos e corpos vivos: a arquitetura em reinvenção Guillaume Sibaud acrescentou que essa tensão entre forças define a arquitetura do futuro. “É preciso inscrever o ato de conceber prédios nas preocupações ambientais e nas limitações de recursos. A arquitetura não pode ser apenas demolição e reconstrução. Ela deve sobreviver a si mesma”, disse. “Por isso, criamos figuras conceituais que ajudam a pensar essa sobreposição: o que permanece e o que muda. Chamamos de corpo morto o que é essencial e duradouro, mas que também tem várias vidas. Já o corpo vivo é o uso mutável: hoje hotel, amanhã escritório, depois moradia. Ele precisa ser maleável e reprogramável. Essa reflexão nos leva a olhar para arquiteturas mais primitivas, que oferecem repertórios ricos e livres para os arquitetos contemporâneos”, sublinhou. A diversidade das maquetes reforça esse diálogo. “No Xingu, as ocas são consideradas seres vivos: têm boca, pernas, são descritas como corpos. Já em São Paulo, as torres são vistas como objetos inertes, de consumo. Nosso caminho criativo é reconceitualizar esses corpos mortos das cidades, onde a maioria vive, transformando-os em corpos vivos. O Xingu nos ensina muito e inspira caminhos para recriar uma arquitetura bela, emocionante, que faça sentido ecológico e emocional”, destacou Raffaëlli. Sobre os projetos futuros, os dois revelaram que o escritório vive a felicidade de atuar simultaneamente no Brasil e na França. “No Brasil, estamos desenvolvendo prédios educacionais, uma biblioteca para o Instituto Cervantes em São Paulo e fomos selecionados para projetar um estádio em Minas Gerais. Queremos expandir nossa prática em instituições nos dois países, além de continuar com projetos de habitação, escritórios e hotéis. Essa diversidade nos ajuda a refletir sobre o mundo ...
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  • Brasil leva narrativas periféricas ao topo de vitrine global em ano histórico para o cinema nacional
    Dec 26 2025
    2025 será lembrado como um marco para a cultura brasileira. Entre as celebrações do Brasil na França, que selaram 200 anos de relações diplomáticas, o país ocupou palcos globais e conquistou prêmios históricos: do Oscar à Palma de Ouro, passando pelo Leão de Prata, uma presença massiva no Festival de Avignon e homenagens literárias. A arte nacional reafirmou sua força e diversidade, enquanto nos despedimos de ícones que moldaram gerações, como Lô Borges, Jards Macalé e Sebastião Salgado. Márcia Bechara, da RFI O ano da temporada cultural cruzada entre Brasil e França instaurou um deslocamento silencioso e profundo: narrativas vindas das bordas — do corpo insurgente, das florestas e viadutos, das memórias insistentes — tomaram o centro dos palcos e telas. Em vez de grandiloquência, um pulso firme: o país se viu e se deixou ver, de Hollywood à Amazônia, de Veneza a Madureira. Em janeiro, Fernanda Torres ergueu o Globo de Ouro por Ainda Estou Aqui, e o gesto abriu a temporada com um aviso ao mundo, mostrando uma história brasileira que reivindica lugar sem pedir licença. Leia tambémFernanda Torres faz história para o cinema brasileiro nos Globos de Ouro Cinema: o país que lembra e resiste Em fevereiro, a Berlinale se tingiu de azul profundo com O Último Azul, de Gabriel Mascaro, que recebeu o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri e ainda dois prêmios paralelos. “É muito bonito. A gente passou por um ano muito especial do Ainda Estou Aqui, percorrendo o mundo, que traz o primeiro Oscar para o Brasil”, disse ele à RFI. “Quando a gente achou que era um episódio isolado, aí vem O Último Azul no Festival de Berlim e ganha o Urso de Prata, um grande prêmio do júri. E quando a gente ensaiou que talvez pudesse ter mais um acidente de percurso, aí vem O Agente Secreto e confirma nossa força no Festival de Cannes. É um ano muito lindo para o cinema brasileiro.” Leia também“Um país sem memória é um país sem presente e sem futuro”, diz Walter Salles ao lançar o filme “Ainda estou aqui” em Biarritz Março assentou a realidade sobre o sonho: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, tornou-se o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional. Salles falou do cerne ético e histórico da obra: “Um país sem memória é um país sem presente e sem futuro. Isso, pra mim, sempre esteve bastante claro enquanto documentarista”. E recordou o processo: “Nesse filme, que a gente começou a fazer em 2017, ou seja, antes daquela virada que, eu confesso, eu não esperava, de 2018 para 2022, o presente começou a se tornar muito próximo daquele daquele passado que a gente estava retratando no filme, ou queria retratar no filme. Isso nos mostrou o quanto a democracia é uma matéria frágil.” Em maio, Cannes registrou o Brasil no alto de um dos festivais mais prestigiados do cinema mundial: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, levou a Palma de Ouro de direção, e Wagner Moura foi consagrado como melhor ator. Mendonça nomeou a natureza política do gesto: “Eu acredito que o agente secreto é uma crônica em longa-metragem de um momento da história do Brasil que eu pessoalmente ainda lembro, porque eu era uma criança. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que tem muita pesquisa histórica.” O diretor sublinhou a ética do real: “No momento em que as coisas estão ao contrário, se você diz que a água é molhada, você se torna um resistente. Eu gosto muito também dessa ideia. Eu acho que a resistência muitas vezes é você manter o olhar na realidade”. Leia também“O Agente Secreto” é um filme “absolutamente brasileiro”, define Wagner Moura em Cannes Moura devolveu o espelho ao público: “Eu acho muito importante que o público fora do Brasil veja aquilo, mas acho mais importante ainda que nós, brasileiros, nos vejamos. Eu não consigo entender ainda a lógica de quem não acha que o governo devia apoiar a cultura.” Em setembro, o filme foi escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2026; em dezembro, vieram três indicações ao Globo de Ouro, incluindo melhor ator. O Agente Secreto foi também incluído nas shortlists da Academia Norte-Americana para o Oscar, figurando entre os 15 pré-selecionados (pré-indicados), inclusive na categoria de Melhor Filme Internacional para a cerimônia de 2026, avançando para a fase final de votação antes da lista oficial de indicados. Teatro e literatura: corpo, escrita e viadutos Enquanto o cinema redesenhava mapas, o teatro afirmava o corpo como arquivo e ferida. Em julho, Carolina Bianchi recebeu o Leão de Prata na Bienal de Veneza, reconhecimento que a situou no epicentro da dança e performance contemporâneas. Bianchi celebrou e definiu o alcance: “Foi uma felicidade tremenda e uma sensação de surpresa inigualável ganhar um prêmio como o Leão de Prata. Acho que é um prêmio que reconhece não só a minha trajetória, mas também uma ...
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