Brasil leva narrativas periféricas ao topo de vitrine global em ano histórico para o cinema nacional Podcast Por  arte de portada

Brasil leva narrativas periféricas ao topo de vitrine global em ano histórico para o cinema nacional

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2025 será lembrado como um marco para a cultura brasileira. Entre as celebrações do Brasil na França, que selaram 200 anos de relações diplomáticas, o país ocupou palcos globais e conquistou prêmios históricos: do Oscar à Palma de Ouro, passando pelo Leão de Prata, uma presença massiva no Festival de Avignon e homenagens literárias. A arte nacional reafirmou sua força e diversidade, enquanto nos despedimos de ícones que moldaram gerações, como Lô Borges, Jards Macalé e Sebastião Salgado. Márcia Bechara, da RFI O ano da temporada cultural cruzada entre Brasil e França instaurou um deslocamento silencioso e profundo: narrativas vindas das bordas — do corpo insurgente, das florestas e viadutos, das memórias insistentes — tomaram o centro dos palcos e telas. Em vez de grandiloquência, um pulso firme: o país se viu e se deixou ver, de Hollywood à Amazônia, de Veneza a Madureira. Em janeiro, Fernanda Torres ergueu o Globo de Ouro por Ainda Estou Aqui, e o gesto abriu a temporada com um aviso ao mundo, mostrando uma história brasileira que reivindica lugar sem pedir licença. Leia tambémFernanda Torres faz história para o cinema brasileiro nos Globos de Ouro Cinema: o país que lembra e resiste Em fevereiro, a Berlinale se tingiu de azul profundo com O Último Azul, de Gabriel Mascaro, que recebeu o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri e ainda dois prêmios paralelos. “É muito bonito. A gente passou por um ano muito especial do Ainda Estou Aqui, percorrendo o mundo, que traz o primeiro Oscar para o Brasil”, disse ele à RFI. “Quando a gente achou que era um episódio isolado, aí vem O Último Azul no Festival de Berlim e ganha o Urso de Prata, um grande prêmio do júri. E quando a gente ensaiou que talvez pudesse ter mais um acidente de percurso, aí vem O Agente Secreto e confirma nossa força no Festival de Cannes. É um ano muito lindo para o cinema brasileiro.” Leia também“Um país sem memória é um país sem presente e sem futuro”, diz Walter Salles ao lançar o filme “Ainda estou aqui” em Biarritz Março assentou a realidade sobre o sonho: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, tornou-se o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional. Salles falou do cerne ético e histórico da obra: “Um país sem memória é um país sem presente e sem futuro. Isso, pra mim, sempre esteve bastante claro enquanto documentarista”. E recordou o processo: “Nesse filme, que a gente começou a fazer em 2017, ou seja, antes daquela virada que, eu confesso, eu não esperava, de 2018 para 2022, o presente começou a se tornar muito próximo daquele daquele passado que a gente estava retratando no filme, ou queria retratar no filme. Isso nos mostrou o quanto a democracia é uma matéria frágil.” Em maio, Cannes registrou o Brasil no alto de um dos festivais mais prestigiados do cinema mundial: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, levou a Palma de Ouro de direção, e Wagner Moura foi consagrado como melhor ator. Mendonça nomeou a natureza política do gesto: “Eu acredito que o agente secreto é uma crônica em longa-metragem de um momento da história do Brasil que eu pessoalmente ainda lembro, porque eu era uma criança. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que tem muita pesquisa histórica.” O diretor sublinhou a ética do real: “No momento em que as coisas estão ao contrário, se você diz que a água é molhada, você se torna um resistente. Eu gosto muito também dessa ideia. Eu acho que a resistência muitas vezes é você manter o olhar na realidade”. Leia também“O Agente Secreto” é um filme “absolutamente brasileiro”, define Wagner Moura em Cannes Moura devolveu o espelho ao público: “Eu acho muito importante que o público fora do Brasil veja aquilo, mas acho mais importante ainda que nós, brasileiros, nos vejamos. Eu não consigo entender ainda a lógica de quem não acha que o governo devia apoiar a cultura.” Em setembro, o filme foi escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2026; em dezembro, vieram três indicações ao Globo de Ouro, incluindo melhor ator. O Agente Secreto foi também incluído nas shortlists da Academia Norte-Americana para o Oscar, figurando entre os 15 pré-selecionados (pré-indicados), inclusive na categoria de Melhor Filme Internacional para a cerimônia de 2026, avançando para a fase final de votação antes da lista oficial de indicados. Teatro e literatura: corpo, escrita e viadutos Enquanto o cinema redesenhava mapas, o teatro afirmava o corpo como arquivo e ferida. Em julho, Carolina Bianchi recebeu o Leão de Prata na Bienal de Veneza, reconhecimento que a situou no epicentro da dança e performance contemporâneas. Bianchi celebrou e definiu o alcance: “Foi uma felicidade tremenda e uma sensação de surpresa inigualável ganhar um prêmio como o Leão de Prata. Acho que é um prêmio que reconhece não só a minha trajetória, mas também uma ...
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