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Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde Ciencias Sociales
Episodios
  • Contestação pode dar lugar a ganhos: entrada em vigor pode mudar clima do acordo UE–Mercosul
    Jan 12 2026
    Os protestos de agricultores franceses contra o Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul continuam nesta segunda‑feira (12), com bloqueios de rodovias, acessos a portos e depósitos estratégicos na França. Ainda assim, na avaliação do cientista político Gaspard Estrada, “a partir do momento em que a parte comercial começar a funcionar, os efeitos positivos podem trazer novos argumentos para os defensores do acordo e reduzir a probabilidade de um bloqueio judicial”, disse à RFI. A mobilização dos agricultores franceses ocorre após a aprovação do tratado por 21 dos 27 países do bloco europeu, na sexta‑feira (9), encerrando um processo de negociação que se arrastou por 25 anos. O pacto será assinado no sábado (17), no Paraguai, e depois deverá ser ratificado pelo Parlamento Europeu, onde pode enfrentar resistência de alguns parlamentares. Para Estrada, membro da Unidade Sul Global da London School of Economics, o principal peso do acordo é político e simbólico, num contexto internacional marcado por tensões e críticas ao multilateralismo. “Reforçar um acordo multilateral baseado em regras, em normas, e não na força, é uma mensagem política muito forte neste momento de grande incerteza no cenário internacional”, destacou. O pacto ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, onde já se anunciam disputas políticas e jurídicas, sobretudo nos países que votaram contra ou se abstiveram, como França, Áustria, Hungria, Irlanda, Polônia e Bélgica. Mesmo assim, Estrada avalia que existe hoje uma disposição clara para levar o processo adiante. “Há, por enquanto, uma vontade política que tem sido mantida. No fim do ano passado, havia o risco de a Itália bloquear o acordo, mas, após muita negociação, o governo italiano acabou apoiando a assinatura”, lembrou. A pressão dos agricultores e a possibilidade de judicialização do tratado tendem a marcar os próximos meses em Bruxelas. “Já existem parlamentares falando em recorrer à Justiça europeia para tentar bloquear o acordo”, observou Estrada, acrescentando, porém, que o cenário não é de retrocesso imediato. “Eu prevejo uma grande discussão no Parlamento Europeu, mas também vejo muita vontade política de fazer esse acordo funcionar.” Segundo o pesquisador, a entrada em vigor do tratado pode, inclusive, mudar o clima político em torno dele. Apesar de ser apresentado como o maior acordo comercial do mundo, reunindo um mercado de 722 milhões de consumidores, o tratado sofreu mudanças significativas ao longo das negociações. “Em 1999, os negociadores tinham combinado uma base de 200 mil toneladas anuais de carne bovina que poderiam ser exportadas sem tarifa pelo Mercosul. Esse número caiu para 99 mil toneladas no acordo final”, afirmou. Ainda assim, Estrada relativiza o impacto econômico dessas concessões. Questionado sobre a possibilidade de alguns países simplesmente se recusarem a aplicar o acordo mesmo após a ratificação, Estrada foi categórico. “Eu vejo isso como algo difícil, porque, se cada país começar a agir por conta própria, a União Europeia deixa de funcionar.” Ele explicou que o bloco dispõe de “mecanismos de governança muito rígidos, com regras claras”, o que torna improvável uma aplicação seletiva do tratado. Precedente com acordo assinado com o Canadá O cientista político comparou o momento atual ao acordo comercial entre União Europeia e Canadá, o CETA, também alvo de fortes críticas no passado. “Quando ele começou a vigorar, o intercâmbio comercial aumentou e hoje quase não se vê protestos contra esse acordo”, recordou. Para Estrada, “o mais difícil já passou” e o essencial agora é que o pacto produza resultados concretos, capazes de lhe conferir legitimidade política. No caso francês, a oposição do governo ao acordo não deve ser confundida com os problemas enfrentados pelo setor agrícola, segundo o especialista. “A dificuldade dos agricultores franceses está ligada principalmente à perda de competitividade da agricultura francesa, e não diretamente à posição do presidente Emmanuel Macron”, avaliou. Ele acredita que o governo francês terá de agir internamente para recuperar essa competitividade. Tratado de complementaridade econômica Estrada também ressaltou que o acordo não estabelece um livre‑comércio irrestrito no setor agrícola. “Ele define cotas muito claras. O livre‑comércio só existe até o limite dessas cotas, e há mecanismos de salvaguarda que impedem uma invasão de produtos do Mercosul na União Europeia e vice‑versa”, explicou. Para ele, trata‑se mais de um acordo de complementaridade econômica do que de abertura total de mercados. No plano internacional, o cientista político minimizou riscos de retaliação externa, como por parte dos Estados Unidos. “Havia temor de que a Argentina, alinhada a Washington, criasse dificuldades para o acordo, mas...
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  • Intervenção dos EUA na Venezuela pode ser ensaio para conflito geopolítico mundial, diz especialista
    Jan 9 2026
    O cientista político Andrés Malamud, principal pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e professor em instituições na Argentina, Brasil, Espanha, Itália, México e Portugal, analisa a operação de Trump na Venezuela, o isolamento europeu diante dos EUA e o risco de um choque geopolítico mais amplo. Adriana Moysés, da RFI Na avaliação de Malamud, a intervenção dos EUA em Caracas foi “uma decapitação do regime” e pode anteceder um conflito “mais ao centro da geopolítica”, envolvendo a Groenlândia, que é um território autônomo do Reino da Dinamarca. RFI – O governo Trump instalou um protetorado na Venezuela ao fazer a presidente interina Delcy Rodríguez aceitar que a receita do petróleo fique sob controle de Washington para compras de produtos americanos? Andrés Malamud – É verdade. Não houve invasão; houve uma decapitação do regime, mantendo o aparelho. Delcy Rodríguez passou de vice a presidente e prometeu cumprir acordos, ao contrário de Maduro. Resta ver o papel dos militares (como os ministros do Interior, Diosdado Cabello, e das Forças Armadas, Vladimir Padrino). Por enquanto, o governo da Venezuela prometeu fazer o que os Estados Unidos pediram e, portanto, podemos dizer que passou de ditadura para protetorado, sem deixar de ser ditadura. RFI – Ao focar no ganho econômico, Trump dá satisfação ao eleitorado MAGA (Make America Great Again), que rejeita operações externas? Andrés Malamud – Parcialmente. A satisfação que ele dá é não ficar na Venezuela e fazer uma operação de extração encoberta por um procedimento judicial. O governo americano alega que foi um juiz de Nova York que pediu a captura de Maduro, como narcotraficante, e então os militares forneceram logística para um funcionário do FBI entrar no lugar onde Maduro estava refugiado, ler os seus direitos e capturá-lo. O MAGA tem sempre uma preocupação moral muito forte, que Trump não tem quando diz 'petróleo, petróleo, petróleo'. A prova que o movimento MAGA não ficou satisfeio é que seu líder, o vice-presidente JD Vance, não participou do planejamento da operação nem da conferência de imprensa posterior. Esta operação foi arquitetada pelo Marco Rubio, secretário de Estado, que não é MAGA, não é isolacionista. Rubio é um intervencionista neoconservador clássico, como o ex-presidente Bush. Pete Hegseth, secretário de Guerra, embora tenha perfil America First e relutante a intervir, admite operações contra inimigos como o Irã ou regimes comunistas. Para Marco Rubio, o próximo objetivo é uma mudança de regime em Cuba. Para Trump, o objetivo seria petróleo e interesses materiais. Na Venezuela, a desculpa de intervenção foi a droga, mas no fundo, o único fio condutor de todas estas tribos do governo americano é geopolítica: mandar a China, a Rússia e Cuba para fora da Venezuela. RFI – Rubio disse que o regime de Cuba cairia sozinho. Pode-se descartar algum tipo de operação mais truculenta contra a ilha? Andrés Malamud - Os Estados Unidos, sobretudo Trump, utilizam ambiguidade como instrumento. A mudança de regime de Cuba é um objetivo histórico dos EUA e também há dinheiro a fazer na ilha, como os americanos faziam antes da revolução comunista, com cassinos, praias e resorts. O regime de Cuba está muito fragilizado e sem o petróleo da Venezuela dificilmente conseguirá resistir. RFI – Qual seria o próximo alvo? Andrés Malamud – Provavelmente, o alvo seguinte é a Groenlândia. A ilha é território do Reino da Dinamarca; não integra a União Europeia, mas a Dinamarca pertence à OTAN. O que muitos veem como conflito periférico na Venezuela pode ser ensaio para algo maior e central na geopolítica: os Estados Unidos atacarem um aliado da OTAN. RFI – Ao não impor uma relação de força contra Trump, os europeus contribuem para a implosão da OTAN? Andrés Malamud - Os europeus estão em negação: dependem dos EUA para logística e tecnologia de defesa. Sem os EUA, não há defesa europeia. Agora, o problema é que precisam defender-se dos EUA. A analista italiana Nathalie Tocci diz que a Europa não foi abandonada, mas traída: os EUA não deixaram a Europa sozinha, estão contra ela. A Europa está cercada pela Rússia, que invade, pelos Estados Unidos, que tarifam e podem invadir. A China, ironicamente, é a única grande potência que não tem interesse em destruir a integração europeia. RFI – Como reagem Rússia e China diante desse avanço de Trump? Andrés Malamud – Na América Latina, o hemisfério ocidental, como os norte-americanos chamam, a China é reativa – faz aquilo que os EUA permitem fazer. Ela não avança contra os interesses norte-americanos. Mas na sua região, a China é proativa – Taiwan será decidido pela China, no seu tempo. No caso da Rússia, há suspeita de que tenha colaborado com os EUA na Venezuela, porque os EUA colaboram ...
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  • CES 2026: IA e robótica devem dominar o maior salão de tecnologia do mundo, diz consultor brasileiro
    Jan 7 2026
    A CES (Consumer Electronics Show), maior feira de tecnologia do mundo, realizada anualmente em Las Vegas, nos Estados Unidos, abre o calendário mundial do segmento desde 1967. No ano passado, a CES atraiu mais de 140 mil pessoas de 158 países. O consultor em tecnologia Henrique Ono explicou à RFI sua iniciativa de organizar uma missão de curadoria para ajudar a divulgar e facilitar o acesso às tecnologias de ponta por executivos brasileiros. Em 2026, o evento acontece de 6 a 9 de janeiro. Henrique Ono destaca que a CES é uma feira pioneira no segmento de tecnologia.“As principais tecnologias foram lançadas na CES. O videocassete, o Discman, o videogame Atari — na época ainda uma startup — foram descobertos nessa feira. Em tempos mais recentes, a própria Microsoft lançou edições do sistema operacional Windows durante o evento. No ano passado, por exemplo, a Nvidia, cujo fundador e CEO é Jensen Huang, utilizou a feira para apresentar lançamentos da empresa ao público mundial”, explica. Embora o Brasil esteja entre os 20 países que mais enviam visitantes, a participação brasileira ainda é considerada pequena, representando cerca de 0,5% do total, aproximadamente 450 pessoas dos mais de 141 mil participantes esperados para a edição de 2026. “Eu acredito que atualmente a participação brasileira é pequena por desconhecimento dos C-levels e das diretorias, das pessoas que trabalham nas empresas. Basicamente, ela não é uma feira tão fomentada no Brasil”, lamenta Ono. Segundo ele, essa desconexão faz com que as empresas brasileiras discutam temas tecnológicos com atraso. “Os assuntos ligados à tecnologia abordados nas empresas do Brasil são temas que já foram tratados na CES uma, duas ou três edições antes. Por isso, acho muito importante diminuir esse tempo entre o lançamento de uma tecnologia aqui em Las Vegas e sua chegada às discussões nas empresas brasileiras”, aponta. Objetivo da missão brasileira na Consumer Electronics Show Henrique Ono, que participa pela sexta vez da CES, explica que sua principal intenção é levar o conhecimento das novas tecnologias aos empresários no Brasil. “Eu pessoalmente tenho a iniciativa de conectar e levar esse conteúdo cada vez mais, para mostrar a importância da feira para os brasileiros”. “A missão brasileira é, de fato, fazer uma curadoria. Porque é uma feira muito grande: são mais de 4.500 expositores em quatro dias. Então, a ideia é entender os objetivos individuais de cada pessoa e empresa para montar uma trilha personalizada e explorar as tecnologias mais relevantes”, destaca. Atualmente, nenhuma empresa do Brasil integra a delegação de expositores da feira. Mas o consultor sugere soluções para estimular uma futura participação brasileira na CES por meio de parcerias com outros países. Segundo ele, países como França, Israel, Japão e Coreia do Sul alugam espaços na CES para levar expositores de suas delegações e integrar parcerias. Inteligência Artificial e robótica dominam as tendências Antes mesmo do primeiro dia da CES, que começou oficialmente na terça-feira (6), Henrique Ono avaliou o evento de prévia da feira, o CES Unveiled, realizado no domingo (4), que elenca algumas empresas que tiveram destaque com soluções ou produtos inovadores. “Eu pude observar basicamente todo mundo falando de Inteligência Artificial, mas também muitas aplicações de IA, principalmente na área de saúde”, diz o consultor. “Muitas empresas de saúde, as health techs, estão criando soluções que vão desde softwares até dispositivos para combater a solidão, voltadas para pessoas da terceira idade, e para ajudar no monitoramento de saúde. Foi o spoiler que eu vi nesse evento antecipado”, destaca Ono. Aplicações práticas e impacto no mercado brasileiro Em seu trabalho como empreendedor, Henrique Ono sublinha a aplicação de tecnologias obtidas por ele em edições anteriores da CES em sua consultoria personalizada de viagens, a 'Viajante Pro', criada há dois anos. “Existem algumas tecnologias de IA que permitem prever estatísticas de precificação de voos ou hospedagens e acompanhar a aviação. Nós conseguimos indicar ao cliente qual é a chance de preços caírem ou de determinado voo atrasar, baseado em estatísticas”, explica. Por fim, Henrique Ono aposta em novidades em robótica na feira, devido ao crescimento expressivo da robótica humanoide observado na CES. O setor de robótica da Consumer Electronics Show cresceu quatro vezes em um ano. “Acredito que vai haver muita discussão sobre Physical AI, basicamente, a Inteligência Artificial associada a um dispositivo físico. Veremos muitas soluções voltadas para robótica. Aliás, este ano a CES criou uma área específica para expositores com soluções humanoides. No ano passado, havia cerca de 20 empresas; este ano, entre 80 e 100. Ou seja, quatro vezes ...
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