Intervenção dos EUA na Venezuela pode ser ensaio para conflito geopolítico mundial, diz especialista Podcast Por  arte de portada

Intervenção dos EUA na Venezuela pode ser ensaio para conflito geopolítico mundial, diz especialista

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O cientista político Andrés Malamud, principal pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e professor em instituições na Argentina, Brasil, Espanha, Itália, México e Portugal, analisa a operação de Trump na Venezuela, o isolamento europeu diante dos EUA e o risco de um choque geopolítico mais amplo. Adriana Moysés, da RFI Na avaliação de Malamud, a intervenção dos EUA em Caracas foi “uma decapitação do regime” e pode anteceder um conflito “mais ao centro da geopolítica”, envolvendo a Groenlândia, que é um território autônomo do Reino da Dinamarca. RFI – O governo Trump instalou um protetorado na Venezuela ao fazer a presidente interina Delcy Rodríguez aceitar que a receita do petróleo fique sob controle de Washington para compras de produtos americanos? Andrés Malamud – É verdade. Não houve invasão; houve uma decapitação do regime, mantendo o aparelho. Delcy Rodríguez passou de vice a presidente e prometeu cumprir acordos, ao contrário de Maduro. Resta ver o papel dos militares (como os ministros do Interior, Diosdado Cabello, e das Forças Armadas, Vladimir Padrino). Por enquanto, o governo da Venezuela prometeu fazer o que os Estados Unidos pediram e, portanto, podemos dizer que passou de ditadura para protetorado, sem deixar de ser ditadura. RFI – Ao focar no ganho econômico, Trump dá satisfação ao eleitorado MAGA (Make America Great Again), que rejeita operações externas? Andrés Malamud – Parcialmente. A satisfação que ele dá é não ficar na Venezuela e fazer uma operação de extração encoberta por um procedimento judicial. O governo americano alega que foi um juiz de Nova York que pediu a captura de Maduro, como narcotraficante, e então os militares forneceram logística para um funcionário do FBI entrar no lugar onde Maduro estava refugiado, ler os seus direitos e capturá-lo. O MAGA tem sempre uma preocupação moral muito forte, que Trump não tem quando diz 'petróleo, petróleo, petróleo'. A prova que o movimento MAGA não ficou satisfeio é que seu líder, o vice-presidente JD Vance, não participou do planejamento da operação nem da conferência de imprensa posterior. Esta operação foi arquitetada pelo Marco Rubio, secretário de Estado, que não é MAGA, não é isolacionista. Rubio é um intervencionista neoconservador clássico, como o ex-presidente Bush. Pete Hegseth, secretário de Guerra, embora tenha perfil America First e relutante a intervir, admite operações contra inimigos como o Irã ou regimes comunistas. Para Marco Rubio, o próximo objetivo é uma mudança de regime em Cuba. Para Trump, o objetivo seria petróleo e interesses materiais. Na Venezuela, a desculpa de intervenção foi a droga, mas no fundo, o único fio condutor de todas estas tribos do governo americano é geopolítica: mandar a China, a Rússia e Cuba para fora da Venezuela. RFI – Rubio disse que o regime de Cuba cairia sozinho. Pode-se descartar algum tipo de operação mais truculenta contra a ilha? Andrés Malamud - Os Estados Unidos, sobretudo Trump, utilizam ambiguidade como instrumento. A mudança de regime de Cuba é um objetivo histórico dos EUA e também há dinheiro a fazer na ilha, como os americanos faziam antes da revolução comunista, com cassinos, praias e resorts. O regime de Cuba está muito fragilizado e sem o petróleo da Venezuela dificilmente conseguirá resistir. RFI – Qual seria o próximo alvo? Andrés Malamud – Provavelmente, o alvo seguinte é a Groenlândia. A ilha é território do Reino da Dinamarca; não integra a União Europeia, mas a Dinamarca pertence à OTAN. O que muitos veem como conflito periférico na Venezuela pode ser ensaio para algo maior e central na geopolítica: os Estados Unidos atacarem um aliado da OTAN. RFI – Ao não impor uma relação de força contra Trump, os europeus contribuem para a implosão da OTAN? Andrés Malamud - Os europeus estão em negação: dependem dos EUA para logística e tecnologia de defesa. Sem os EUA, não há defesa europeia. Agora, o problema é que precisam defender-se dos EUA. A analista italiana Nathalie Tocci diz que a Europa não foi abandonada, mas traída: os EUA não deixaram a Europa sozinha, estão contra ela. A Europa está cercada pela Rússia, que invade, pelos Estados Unidos, que tarifam e podem invadir. A China, ironicamente, é a única grande potência que não tem interesse em destruir a integração europeia. RFI – Como reagem Rússia e China diante desse avanço de Trump? Andrés Malamud – Na América Latina, o hemisfério ocidental, como os norte-americanos chamam, a China é reativa – faz aquilo que os EUA permitem fazer. Ela não avança contra os interesses norte-americanos. Mas na sua região, a China é proativa – Taiwan será decidido pela China, no seu tempo. No caso da Rússia, há suspeita de que tenha colaborado com os EUA na Venezuela, porque os EUA colaboram ...
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