Episodios

  • Para refugiados venezuelanos no Brasil, presidência de Delcy Rodríguez é um 'mal necessário'
    Jan 10 2026
    A Venezuela entrou em uma nova etapa de sua história após a invasão dos Estados Unidos. Agora, sem Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores, o país é comandado interinamente pela chavista Delcy Rodríguez, autoridade sancionada no exterior e que não conta com apoio popular em seu país. Venezuelanos radicados no Brasil contam à RFI a percepção dos acontecimentos em sua terra natal. Elianah Jorge, correspondente da RFI no Rio de Janeiro O Brasil é o quarto destino escolhido pela diáspora venezuelana. Ano passado, foram mais de 19 mil pedidos de refúgio de venezuelanos em território brasileiro. Em 2016 William Clavijo foi de férias ao Rio de Janeiro. Antes de voltar, soube que colegas e membros da força política da qual participava foram presos por ordens do regime de Nicolás Maduro. Ele é uma das vozes ativas da comunidade venezuelana no Brasil. “Os anúncios de Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez [presidente da Assembleia Nacional] não respondem a um ato de vontade própria. Nós conhecemos muito bem quem são essas duas pessoas e a proximidade que tinham com Nicolás Maduro, e a relação que têm com a Comissão de Crimes da Lesa Humanidade, a violação dos direitos políticos dos venezuelanos e a violação dos direitos civis em geral”, observa. A advogada Delcy Rodríguez, de 56 anos, assumiu a presidência interina da Venezuela apesar de estar sancionada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Em sua gestão como ministra de Hidrocarbonetos, conseguiu driblar as sanções internacionais à venda de petróleo venezuelano. Segundo Donald Trump, ela é a pessoa mais indicada para conduzir o país neste período de transição. Após anos de impasse, de tentativas de negociações e até uma eleição que careceu de transparência, a gestão interina de Rodríguez faz parte de uma manobra internacional para que haja uma transição viável do país, segundo o venezuelano G.H, que prefere não ser identificado. “Delcy e companhia são uma jogada geopolítica. María Corina Machado e Edmundo González não poderiam voltar para governar. Toda essa situação na Venezuela é um barril de pólvora. Não é possível negociar com os que estão ali para ver que tipo de transição podemos fazer", afirma. "Apesar de não gostar dos irmãos Rodríguez, eu acho que eles são um mal necessário e vamos ver o que será possível fazer", comentou. 'Comemorei, mas Trump é um louco' Gil Hernández tem a dupla nacionalidade, brasileira e venezuelana. Ele mora no Rio de Janeiro, mas sua família paterna está em Coro, região petroleira na costa oeste da Venezuela. “Eu também comemorei, óbvio. Mas, por outro lado, é insano: [Donald Trump] é um louco para invadir outro país, sequestrar um presidente, levar para Nova York, julgar, e querer se apossar das reservas de petróleo, porque investiu no parque petrolífero e nunca foi pago. Que negócio é esse, gente?", disse. Donald Trump afirmou que a indústria petroleira da Venezuela foi construída pelos Estados Unidos – o que, segundo ele, daria ao país teria direito ao petróleo venezuelano. Moradora do Rio de Janeiro, a apoiadora do regime venezuelano Z.Y. acompanha com indignação o que acontece nem seu país. Ela percebe que, aos poucos, os venezuelanos começam a sentir as consequencias da ingerência norte-americana. “Há efeitos colaterais. Já há escassez, filas para comprar. O país já estava muito estabilizado", afirma. "A Venezuela, com todo o bloqueio e tudo o que aconteceu, já estava estabilizada, mesmo com todos o problemas que tinha. Mas estava limpa, bonita”, defendeu. Desde a invasão, a população vem fazendo compras nervosas. Os preços dos alimentos dispararam e o poder de compra do bolívar foi pulverizado. Um quilo de carne, que antes custava cerca de US$ 8, agora pode sair por U$25, afetando o bolso sobretudo das camadas mais pobres da população. Após dias de silêncio e incertezas, na última quinta-feira (8), Jorge Rodríguez, que também é irmão da presidente interina, anunciou a decisão “unilateral” de liberar presos políticos no país. Donald Trump afirmou que já preparava um segundo ataque à Venezuela, mas que a iniciativa de Rodríguez o demoveu da ideia. Reativação da economia O governo americano alega que os Estados Unidos irão modernizar o parque petroleiro da Venezuela – a força econômica do empobrecido país. Embora não esteja de acordo com a invasão, outro venezuelano morador do Brasil acredita que a recuperação da economia de seu país vai ser lançada. “Antes desse governo entrar, a Venezuela trabalhava com os Estados Unidos e sempre era metade e metade. Eles construíram uma planta e levavam petróleo por 20, 30 anos. Era normal", disse. "Sempre foi assim. Agora, haverá bastante emprego. Todas as petroleiras, todas as refinarias serão ativadas. E cada refinaria precisa mais de 5 mil pessoas. É bom!” O ...
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  • Mostra 'Complexo Brasil' redescobre história, impasses e cultura do país para além de clichês em Portugal
    Dec 19 2025
    O mergulho no Brasil em terras portuguesas ganhou nova dimensão com a exposição Complexo Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, e projeto cenográfico de Daniela Thomas. A mostra, que reúne obras de arte, filmes, vídeos, documentos e textos, oferece uma oportunidade rara para um “redescobrimento mútuo” dos dois lados do Atlântico, e se distancia de estereótipos, abrindo novas perspectivas de entendimento. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa “O que nos propomos é oferecer e questionar, como um convite e um desafio ao atravessamento, uma experiência de Brasis”, ressaltou à RFI o ensaísta e músico José Miguel Wisnik. É um convite bem sensorial porque se trata de uma exposição muito colorida, muito intensa de expressão da visualidade brasileira pelas artes, por objetos, por imagens, por fotografias e também por vídeos, diz Wisnik. “Foram feitos seis vídeos, especialmente concebidos para a exposição Complexo Brasil, que tratam de temas como as potências e os impasses do Brasil contemporâneo e suas relações com o passado. Há vídeos sobre a escravidão, Brasília, a Amazônia, a música popular brasileira, a relação do samba com o candomblé e a escola de samba”, afirma Wisnik. “Todos esses elementos formam um conjunto que não é linear nem descritivo do ponto de vista cronológico. Trata-se de algo muito mais sensorial e também conceitual”, explica. “Percorremos esses múltiplos estímulos com uma visão histórica e crítica da formação do Brasil, um país ao mesmo tempo muito desigual e violento em vários aspectos, mas também extremamente rico e plural do ponto de vista de suas expressões culturais”, conclui. O projeto começou a ser concebido há três anos, com o objetivo de apresentar o Brasil ao público português. Desde o início, segundo o diretor do Programa Cultura da Fundação Calouste Gulbenkian, Miguel Magalhães, a equipe tinha uma premissa clara. “Sabíamos que não queríamos uma exposição exótica ou tropical, carregada de estereótipos que costumam compor a imagem do Brasil”, afirmou à RFI. De acordo com Magalhães, a mostra propõe múltiplos olhares sobre o país. “É uma exposição feita de muitos Brasis, começando pelo Brasil anterior à chegada dos portugueses. Ela olha para os povos que já estavam ali, aborda o colonialismo e a escravidão, mas reconhece que o Brasil contemporâneo não se explica apenas pela sua relação com Portugal”, diz. “Complexo Brasil se organiza em três eixos — geografia, história e diversidade cultural. É nessa articulação que tentamos dar conta da complexidade do país. Não é uma exposição de artes visuais, mas uma exposição que usa a arte como uma caixa de ferramentas para ajudar a compreender o Brasil de hoje”, enfatiza. “Um país é uma entidade múltipla” Por que Complexo Brasil? Porque, em muitos sentidos, o Brasil é justamente isso: um conjunto intrincado de biomas, etnias, culturas, línguas, religiões e lógicas sociais, atravessado por desigualdades extremas. Um país marcado também por um permanente vaivém entre sentimentos de inferioridade e superioridade — síndromes que, como lembram os organizadores, brasileiros e portugueses conhecem bem. Esse emaranhado se desdobra em múltiplas camadas nas duas grandes galerias da Fundação Calouste Gulbenkian. Obras de naturezas muito distintas se encontram: peças do século XVII dialogam com produções contemporâneas, em um percurso que reúne artistas brasileiros de várias gerações. Estão representados nomes como Alfredo Volpi, Augusto de Campos, Claudia Andujar, Rosana Paulino, Abdias do Nascimento, Arthur Bispo do Rosário, Hélio Oiticica, Glicélia Tupinambá, Lygia Clark, Lygia Pape, Roberto Burle Marx e Luiz Zerbini, entre outros. Para o músico e curador da mostra, José Miguel Wisnik, Complexo Brasil se inicia com uma antologia de frases sobre o país, recolhidas em diferentes épocas e de autores diversos. “O Brasil é feio, mas gostoso”, a célebre frase atribuída ao escritor modernista Mário de Andrade, reaparece décadas depois nas palavras do compositor e maestro Tom Jobim. "Ele dizia que 'morar nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; morar no Brasil é uma merda, mas é bom' — uma síntese irônica e contraditória que ajuda a traduzir a complexidade do país", lembra. Mantos como fio condutor Os emblemáticos mantos tupinambá, cujos remanescentes hoje se encontram em museus europeus, são — não por acaso — o ponto de partida da exposição Complexo Brasil. Eles funcionam como fio condutor da mostra. Do manto sagrado do povo Tupinambá, do século XVI, devolvido ao Brasil pela Dinamarca no ano passado e presente na exposição por meio de um vídeo especialmente produzido, aos parangolés de Hélio Oiticica, o percurso atravessa diferentes tempos ...
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  • PSG valoriza título mundial e elogia Flamengo: 'Revolução no futebol brasileiro', diz Marquinhos
    Dec 18 2025
    O primeiro título mundial da história do Paris Saint-Germain e de um clube da França foi sofrido, conquistado apenas na decisão por pênaltis – e, também por isso, a vitória foi bastante comemorada pela equipe. A boa atuação do Flamengo, adversário que impôs grandes dificuldades ao campeão europeu, serviu para valorizar ainda mais o troféu ganho nesta quarta-feira, no Catar, após empate por 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, seguido da vitória por 2 a 1 nos pênaltis, pela final da Copa Intercontinental. Tiago Leme, de Doha (Catar), para a RFI Depois da partida, jogadores do PSG e o técnico Luis Enrique elogiaram o Rubro-Negro carioca, que sonhou com o bicampeonato mundial e teve chances de vencer o duelo emocionante. O zagueiro brasileiro Marquinhos, capitão do Paris, falou sobre as qualidades do time tetracampeão da Libertadores – que, segundo ele, está fazendo uma “revolução no futebol do Brasil”. "Se respeitou muito esse time do Flamengo. A gente sabia que seria um jogo totalmente diferente", disse ele. "O adversário tem uma filosofia de jogo diferente, e eu sabia que seria assim. O Flamengo realmente vem trazendo uma revolução no futebol brasileiro, quanto à filosofia de jogo, a táticas, a entender o adversário, explorar o adversário da melhor maneira", explicou o jogador, antes de comparou com a partida contra o Botafogo, quando o PSG perdeu na primeira fase da Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos. “Essa seria uma final decidida nos detalhes. A gente queria até que fosse mais fácil para a gente, mas não foi. Então eu acho que se respeitou muito”, reconheceu. O zagueiro salientou que, como a equipe do Paris conta com muitos brasileiros e portugueses, o técnico e os próprios jogadores estão de olho no futebol brasileiro. “Todos conhecem o quanto que esse time do Flamengo é qualificado. São jogadores experientes, que voltaram da Europa e estão acostumados a jogar contra times da Europa, contra o PSG, contra outros grandes times. Então, com certeza foi um jogo difícil”, analisou Marquinhos. 'Adversário muito difícil' O lateral esquerdo português Nuno Mendes também destacou o bom desempenho da equipe brasileira, que não se intimidou em campo diante do favoritismo do PSG e das diferentes realidades financeiras entre os clubes dos dois continentes. “É dar os parabéns ao Flamengo. Foi um adversário muito difícil. Vieram aqui para jogar, para disputar o jogo. Foi um jogo muito bom, acho que para ambas as partes”, afirmou. “Infelizmente, eles não conseguiram ganhar, ganhamos nós, como nós queríamos. Foi um bom jogo da parte do Flamengo, estou muito contente por ter ganho. E também contente por eles, porque vieram aqui e demonstraram que são uma grande equipe”, disse Nuno. Do lado do Flamengo, o técnico Filipe Luís e os atletas não esconderam a frustração com a derrota, mas demonstraram orgulho pelo desempenho diante do PSG e pelas conquistas em 2025. Houve críticas à mudança feita pela Fifa no regulamento do Mundial, que foi renomeado pela entidade como Copa Intercontinental. Desde o ano passado, o time da América do Sul precisa disputar antes quartas de final e semifinal, enquanto o representante da Europa entra direto na final. Embate decisivo no fim da temporada Com isso, o atacante Bruno Henrique citou o desgaste físico dos flamenguistas, após uma temporada com calendário apertado, e fez uma comparação com o momento atual do PSG. “A gente chega hoje a 76 jogos, e é claro que isso muda um pouco a forma física da gente, porque enfrentar um time europeu já é difícil, e em final de temporada, é mais ainda. O europeu, no Mundial passado – no meio do ano, nos Estados Unidos – reclamou que eles estavam em fim de temporada, e o Flamengo agora chega no final de temporada”, explicou. “Mas chega jogando, propondo jogo. A gente foi superbem hoje. Então, é só enaltecer a temporada que fizemos, temporada de muita entrega, muita dedicação, e hoje a gente também teve muita entrega no jogo. Parabéns para nós por essa temporada”, afirmou. O herói da conquista do Paris Saint-Germain foi o goleiro russo Safonov, que defendeu quatro pênaltis. Ele foi mantido como titular pelo terceiro jogo seguido, mesmo após Chevalier voltar de lesão. Na cobrança decisiva, Safonov pegou o chute de Luiz Araújo, além de Saúl, Pedro e Léo Pereira antes. Vitinha e Nuno Mendes converteram para o novo campeão mundial. No tempo regulamentar, Kvaratskhelia abriu o placar, e Jorginho empatou de pênalti. O português Vitinha, que mais uma vez teve ótima atuação, foi eleito o melhor jogador da final no Catar. A Copa Intercontinental foi o sexto título do Paris nesta temporada histórica, depois de vencer a Liga dos Campeões da Europa, o Campeonato Francês, a Copa da França, a Supercopa da Europa e a Supercopa da França. O time ainda foi vice-campeão da nova Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos. O...
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  • Torcida rubro-negra em Paris confia na vitória do Flamengo sobre o PSG no Intercontinental: 'Vai ser lindo'
    Dec 17 2025
    O Flamengo enfrenta o PSG nesta quarta-feira (17), em Al Rayyan, no Catar, na disputa pelo título da Copa Intercontinental 2025. Além da imensa torcida de mais de 45 milhões de rubro-negros no Brasil, o clube contará com um grupo de torcedores em Paris, casa da equipe adversária — incluindo um francês apaixonado pelo time carioca. Confiantes na vitória, eles esperam pintar a Torre Eiffel e o mundo de vermelho e preto. Renan Tolentino, da RFI em Paris “A gente vai com tudo, o Flamengo tem tudo para ser campeão. Não será surpresa se levarmos esse título e comemorarmos dentro de Paris. Vai ser a coisa mais linda”, projeta Cidel Cavalcante, um dos criadores da FlaParis. Consulado oficial de torcedores do Flamengo na França, a FlaParis é pé-quente. Foi fundada há seis anos, quando o clube carioca iniciou a atual era de conquistas históricas, que já soma 19 troféus. “Começou em 2019, naquele ano mágico, após o time viver um jejum de títulos expressivos. Nessa época, eu me mudei para Paris e fui buscar outros rubro-negros como eu aqui. Tive a sorte de achar um francês apaixonado pelo Flamengo, não só pelo Flamengo, mas pelo futebol brasileiro também. Daí em diante, a gente reúne os torcedores rubro-negros que estão aqui em Paris para ver os jogos”, conta Cidel. Naquela temporada de 2019, o time carioca venceu a Copa Libertadores da América e o Brasileirão. De lá para cá, acostumou-se a empilhar troféus. Em 2025, repetiu os mesmos feitos de seis anos atrás, conquistando seu nono campeonato nacional e sua quarta Libertadores, tornando-se o clube brasileiro com mais títulos na competição. Agora, o desafio é ser campeão mundial pela segunda vez na história — um feito que esta geração de torcedores sonha ver. Como o carioca Danilo Fernandes, que vive na França desde 2019 e é um dos diretores da FlaParis. “É a realização de um sonho e a gente, como torcedor, está podendo participar disso. Para nós aqui, vai ser uma sensação diferente, por estar morando em Paris e ver o Flamengo enfrentar o time da cidade. Vamos ver o que vai dar... Mas estamos bem esperançosos”, diz Danilo. Caminho para o bi mundial Para conquistar o bicampeonato mundial, o Rubro-Negro precisa superar o poderoso PSG, campeão da Liga dos Campeões neste ano e que conta com o francês Dembélé, vencedor da Bola de Ouro 2025. Para chegar à decisão do Intercontinental, o clube carioca passou por duas etapas: primeiro, superou o Cruz Azul, do México, no Dérbi das Américas; depois, venceu o Pyramids, do Egito, pela Copa Challenger, que no formato atual equivale à semifinal da competição. “Acho que o Flamengo vai para cima. É uma partida difícil, o jogo do ano. Vamos enfrentar um time ótimo, campeão da Champions League, que vem tendo um bom desempenho neste ano. Mas o Flamengo também trabalhou bastante para chegar até aqui. Então, a gente como torcedor acredita que dá para realizar esse sonho”, reflete Danilo. O confronto contra os franceses promete ser duríssimo. Apesar do histórico recente indicar certo desinteresse de clubes europeus pela competição, o jogo será no Catar, país dos proprietários do PSG — que não deve querer fazer feio diante dos donos. Os torcedores rubro-negros em Paris reconhecem o cenário difícil e as qualidades do adversário, mas isso não abala a confiança e o otimismo deles. “O time tem que manter a defesa alta, fazer aquela marcação-pressão e arriscar, entrar com garra, força de vontade e disposição para sair com a vitória”, analisa Danilo. Na final da Libertadores 2025, em 29 de novembro, a FlaParis mobilizou centenas de torcedores em um restaurante no norte da capital francesa. Na ocasião, os rubro-negros celebraram o Tetra do Flamengo na competição, com a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras. “Foi uma loucura, mais de 600 rubro-negros reunidos para torcer na decisão da Libertadores. Foi uma festa fantástica, que vai se prolongar até a final dessa jornada no Mundial. Tem tudo para ser uma grande festa”, comenta Cidel. "Allez, Flamengô!" Entre esses rubro-negros está o francês Marcelin Chamoin, de 33 anos. Apaixonado pelo Flamengo e pelo futebol brasileiro, ele já transformou esse amor em um livro de crônicas sobre o clube carioca. “Minha primeira lembrança relacionada ao futebol é da Copa do Mundo de 1998, quando a França ganhou do Brasil na final. Mas, apesar de eu ser francês, no Brasil tinha o Ronaldo, então me apaixonei pela seleção brasileira. Depois, comecei a torcer pelo Flamengo, por conta da torcida imensa e do amor único que os flamenguistas têm pelo time. Meu primeiro ídolo nessa época foi o Obina. Depois, foi um sentimento que só cresceu”, recorda. Marcelin admite que tem uma admiração pelo PSG, mas confirma que seu clube de coração é mesmo o Rubro-Negro da Gávea. Ele garante que, na final, não vai ficar dividido. “Na França, eu torço pelo PSG, por morar ...
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  • Brasil e Itália enfrentam desafios comuns no combate à violência contra mulheres
    Dec 13 2025
    A violência contra as mulheres permanece um dos mais persistentes e alarmantes problemas sociais em diferentes partes do mundo. No Brasil e na Itália, apesar das distâncias geográficas e das diferenças culturais, a realidade apresenta semelhanças preocupantes: números elevados, casos de grande repercussão pública e um sentimento coletivo de urgência na busca por soluções eficazes e proteção das vítimas. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma A Associação de Amizade Itália-Brasil (AAIB) promoveu em Roma, na quinta-feira (11), o debate “Combate à Violência contra a Mulher e Proteção às Vítimas de Crimes”. A iniciativa, presidida pelo deputado italiano Fabio Porta, do Partido Democrático (centro-esquerda), ocorreu na Biblioteca do Senado, no centro da capital italiana, durante a visita a Roma da delegação de mulheres brasileiras que compõe o Fórum Internacional sobre os Direitos das Vítimas (Intervid), em turnê institucional europeia. “Nós trouxemos do Brasil representantes políticas e empresárias que estão à frente das políticas públicas para as mulheres do Brasil. Promovemos o intercâmbio para criar essa ponte e, com debates, avaliar a possibilidade de mudar a legislação brasileira inspirada na legislação italiana, e vice-versa", conta Iara Bartira da Silva, secretária-geral da AAIB, à RFI. A iniciativa começou há quatro anos. “É importante, no mundo globalizado, que a troca de experiência em nível europeu e internacional seja valorizada e estimulada, porque o legislador precisa se confrontar e encontrar soluções legislativas e na área da prevenção”, salientou o deputado Porta. Legislação sobre o feminicídio e o consentimento “Na Itália, aprovamos a nova lei que aumenta as penas contra o feminicídio. Aprovamos também na Câmara dos Deputados o projeto de lei sobre o consentimento, que prevê a permissão, por parte do parceiro ou da parceira, de um ato sexual, que nunca pode ser feito sem o consentimento”, destaca o deputado. A lei sobre o consentimento “livre e efetivo”, sem o qual ocorre a violência sexual, não será aprovada antes de fevereiro de 2026. O projeto de lei, já aprovado por unanimidade em 19 de novembro pela Câmara dos Deputados – em parte graças a um pacto político entre governo e oposição –, foi retido na Comissão de Justiça do Senado, onde estava previsto para ser votado em 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Alguns membros do partido de extrema direita Liga, incluindo o líder, vice-premiê e ministro italiano dos Transportes, Matteo Salvini, apontaram “questões críticas” no texto do projeto de lei, que reformaria o Código Penal. O partido recomenda um estudo mais aprofundado antes da aprovação. Há duas semanas, o Parlamento italiano aprovou a lei que tipifica feminicídio e endurece penas para crimes de gênero, prevendo até prisão perpétua para os criminosos. Dados do Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat) mostram que, dos 327 homicídios registrados em 2024, 116 vítimas eram mulheres e meninas. Em 92,2% dos casos, os autores eram homens. Segundo as estatísticas, a cada três dias, uma mulher é assassinada na Itália. O feminicídio é a ponta do iceberg da violência contra a mulher e representa o desfecho mais extremo do problema. Leia tambémFeminicídios crescem 11% na França e entidades acusam Macron de abandonar a causa Mulheres brasileiras pedem ajuda Segundo o cônsul do Brasil na Itália, Luiz César Gasser, diariamente mulheres brasileiras pedem apoio ao consulado por causa da violência. Na área de competência do consulado em Roma, vivem entre 50 mil e 60 mil brasileiros, dos quais 70% são mulheres. "Muitas mulheres que procuram o consulado nos reportam casos de violência. Frequentemente lidamos com estas questões e pedidos de ajuda", indicou o cônsul. "Prestamos apoio com uma consultoria psicológica, mas também uma consultoria jurídica, orientando as mulheres a buscar o suporte da própria autoridade italiana. Precisamos trabalhar em conjunto com as autoridades locais", ressaltou. No Brasil, a Lei do Feminicídio entrou em vigor em 2015. No ano passado, as penas para o crime aumentaram para até 40 anos de reclusão. No entanto, o número de vítimas no país cresce. De acordo com o Mapa da Segurança Pública de 2025, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. O número de feminicídios aumentou 0,69% em relação a 2023. Ao todo, foram 1.459 vítimas em 2024, contra 1.449 em 2023. O Brasil conta com uma ampla legislação de proteção à mulher. A mais conhecida é a Lei Maria da Penha, que previne e combate a violência doméstica e familiar e prevê medidas protetivas de urgência, como afastamento do agressor, proibição de contato e suporte psicossocial para a vítima. Vítima humilhada No entanto, muitas vítimas não denunciam os agressores porque temem ...
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  • Após mergulho cultural no Brasil, banda francesa Sapocaya grava álbum inspirado nos quatro elementos
    Dec 6 2025
    O álbum "Elementos" da banda de jazz Sapocaya é um projeto conceitual mais ambicioso que o EP de estreia do grupo lançado no ano passado. Desta vez, os jovens músicos persistem na temática da natureza, mas ampliam o repertório com a introdução de novas influências, instrumentos, sons eletrônicos e arranjos inéditos com a participação de cantores. "Elementos" foi divulgado no dia 28 de novembro e o show de lançamento está marcado para a próxima terça-feira (9), na casa de shows New Morning, em Paris. O novo álbum da banda reflete o trabalho que começou há cerca de um ano e evoca os quatro elementos da natureza: terra, ar, fogo e água. A ideia dos jovens é surpreender, tanto no que diz respeito ao conceito do projeto quanto às composições, como disse à RFI o fundador da banda Jamayê Viveiros, flautista e trompetista. “O álbum traz muita coisa, é um projeto bem maior. O primeiro EP tinha seis títulos, nesse já são 12. A concepção do álbum foi realmente fazer transições, com três músicas por elemento, já que o álbum é ‘Elementos’. Cada elemento vai crescendo”, explica o músico, que destacou que o elemento ar, por exemplo, é apresentado nas composições "Brisa", "Vendaval" e "Furacão", o elemento ar se manifesta, enquanto a água é revelada em "Chuva", "Ribeirão" e "Enchente". O mesmo vale para o elemento terra, que abre o álbum gradativamente com "Raízes", passa pela "Floresta" e culmina em "Terremoto". Já o fogo é evocado pelas faixas "Brasa", "Chama" e "Incêndio". Intercâmbio musical França-Brasil Este novo trabalho é resultado de um intenso intercâmbio cultural e musical entre a França e o Brasil, que permitiu à banda gravar com renomados músicos brasileiros. Este novo trabalho é resultado de um intenso intercâmbio cultural e musical entre a França e o Brasil. As viagens permitiram à banda gravar com renomados músicos brasileiros e franceses, inspirados por um dos maiores nomes da música instrumental brasileira e reconhecido internacionalmente por sua genialidade e inovação sonora: Hermeto Pascoal. “A gente teve a sorte de gravar com Carlos Malta, multi-instrumentista brasileiro que tocou com Hermeto Pascoal durante muitos anos, com o Bernardo Aguiar, com o Frederico Heliodoro, e com os cantores Matu Miranda e Thais Motta, todos músicos excelentes que a gente conseguiu gravar lá no Brasil. Foi uma experiência mágica para a gente. Conseguimos gravar com amigos aqui na França e também com esses músicos incríveis no Brasil”, enfatiza Jamayê, destacando a presença de samba e ritmos afro-caribenhos nas novas músicas. Introdução de novas sonoridades Enquanto o trabalho anterior do grupo era fortemente influenciado por ritmos do Nordeste, ‘Elementos’ demonstra uma maior abertura musical, incorporando novos sons. O compositor e percussionista Tristan Boulanger, também fundador do Sapocaya, fala que se inspirou ainda em ritmos indígenas e usou referências de manifestações religiosas como o candomblé, após ter tido aulas de percussão com Luizinho Indiano (Aluísio Lúcio Ferreira) em Ilhéus, Bahia. “É essa mistura que representa nossa música. Essa terceira vez que fui ao Brasil foi diferente. Acho que dessa vez eu estava um pouco mais livre para falar com as pessoas. Eu falo um pouco português agora e foi a oportunidade também de gravar com músicos brasileiros no Brasil. É uma experiência incrível de trabalhar realmente com músicos dessa tradição”, diz Tristan. Uma das mais recentes integrantes do Sapocaya, Charlotte Isenmann foi ao Brasil — assim como a maioria dos demais músicos — para se aproximar dos ritmos que fundaram a banda. A flautista compartilhou os detalhes do que mais a inspirou após voltar do Brasil. “Para mim, foi especialmente um concerto do Hermeto Pascoal que ouvimos e que me inspirou para a música, porque, através de elementos super primários como a água, flautas de bambu e brinquedos, ele conseguia transmitir uma energia muito grande, além de expressividade e muita emoção. Eu sentia essa energia até mesmo no público. É verdade que isso me inspirou bastante ao retornar, depois de ter encontrado todos esses músicos, ouvido essa música, porque foi realmente algo novo e intenso”, revela Charlotte. Vozes no álbum ‘Elementos’ Os jovens inicialmente não tinham intenção de usar vozes no repertório do grupo, mas os rumos mudaram após conhecerem Matu Miranda, cantor de MPB que se apresentou em Paris em 2024. Juntos gravaram o single ‘Avante’, que não faz parte do novo álbum, mas rendeu uma segunda colaboração na composição da faixa ‘Brisa’ em ‘Elementos’. Já a cantora Thais Motta participou em ‘Ribeirão’, uma mistura inédita para a banda de jazz, com o uso de pandeiro e voz em uma composição pela primeira vez. Além do show de lançamento de ‘Elementos’ na casa de shows New Morning, no ...
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    11 m
  • Bicentenário de D. Pedro II, o imperador que foi um ‘mediador cultural’ entre a França e o Brasil
    Dec 1 2025
    Dom Pedro II, o segundo e último imperador do Brasil, faria 200 anos neste dois de dezembro de 2025. O bicentenário é uma boa ocasião para relembrar a vida do monarca que governou o país por quase 50 anos e teve uma relação privilegiada com a França. Para o especialista Leandro Garcia Rodrigues, professor da UFMG, o imperador brasileiro deixou “um legado de estadista, tradutor e mediador cultural” entre a França e o Brasil. Mas a cultura brasileira divulgada por ele refletia o espírito eurocentrista da sociedade do século 19. Adriana Brandão, da RFI em Paris Dom Pedro II foi um soberano culto e erudito. O imperador brasileiro, que subiu ao trono em 1840 antes de completar 15 anos, compreendia 15 línguas, entre elas o sânscrito e o hebreu. Ele é reconhecido como um intelectual do século 19, que apreciava a arte, a literatura e a ciência. O monarca tinha uma relação privilegiada com a cultura francesa. “A França era uma espécie de pátria intelectual” não só de Pedro II, mas da elite brasileira desde a independência do país de Portugal, em 1822, lembra Leandro Garcia, autor de um pós-doutorado sobre a relação do imperador com a França. O tema foi abordado em um webinário organizado pela Biblioteca Nacional da França (BNF) e ministrado pelo professor para celebrar o bicentenário de nascimento de Pedro II. O fascínio dele pela cultura francesa fica evidente na numerosa correspondência que mantinha. “Foram mais de 30 correspondentes ativos”, revela o professor de teoria literária e literatura comparada da UFMG. Leandro Garcia Rodrigues detalha que a rede de sociabilidade epistolar do imperador era composta por cientistas e literatos. “No caso dos cientistas, especialmente aqueles ligados à egiptologia, porque um dos fascínios de Dom Pedro II era pela cultura egípcia e, na França, especialmente em Paris, havia um núcleo de egiptólogos muito forte no século 19. No mundo dos literatos, foram especialmente poetas.” Viajante incansável Viajante incansável, o imperador realizou três grandes viagens internacionais durante seu reinado, em 1871, 1876 e 1887. A cada vez, esteve na França, e aproveitou para conhecer pessoalmente os intelectuais ou cientistas com os quais se correspondia. “Um dos nomes mais importantes para a França e para o Brasil foi o Louis Pasteur, que foi amigo pessoal de Dom Pedro II. Inclusive, Dom Pedro II é um dos fundadores do Instituto Pasteur”, conta Leandro Garcia Rodrigues. Entre os cientistas, vale também destacar o nome de Henri Gorceix, francês fundador da Escola de Minas em Ouro Preto. Outro correspondente de peso foi o poeta e escritor Victor Hugo, “um dos maiores nomes da literatura francesa”. Dom Pedro II “conheceu Victor Hugo e foi à casa dele pessoalmente em Paris”, relembra o professor. A rede de correspondentes literatos do imperador tem ainda nomes como Chateaubriand, Ferdinand Denis, George Sand, Sully Proudhomme, Alphonse Lamartine, Alexandre Dumas (filho), Stéphen Liégeard que “são nomes importantíssimos para a cultura francesa,”, ressalta. Divulgando a cultura brasileira “A relação de Dom Pedro II com esse mundo intelectual não era uma relação passiva”, salienta Leandro Garcia Rodrigues. As trocas regulares contribuíram para aumentar os conhecimentos do imperador e para divulgar a cultura francesa no Brasil, mas também para promover a cultura brasileira na França. “Ele não apenas recebia textos literários, poemas, romances, não só da França como de outros países, mas também enviava, mandava textos da literatura brasileira traduzidos nessas línguas, no caso traduzidos para o francês, para serem publicados e divulgados na imprensa francesa”, afirma. Segundo ele, um exemplo dessa mediação foi a divulgação da obra do poeta Gonçalves Dias na França. “Na época, no século 19, o Gonçalves Dias era considerado o mais importante poeta do Brasil. Ele foi amplamente traduzido para o francês a pedido de Dom Pedro II e publicado na imprensa francesa”, informa o professor. No entanto, a cultura brasileira divulgada pelo imperador carregava valores muito diferentes dos atuais e refletia o espírito da sociedade eurocentrista do século 19. Como criticava o grande escritor português Alexandre Herculano, a literatura brasileira dessa época “era escrita no Brasil, mas com umbigo na Europa”. “No século 19, o eurocentrismo era um sentimento muito forte, não se libertava fácil, até porque a gente era uma ex-colônia de um país europeu, no caso, Portugal. Então, a nossa literatura brasileira ainda tinha muitas feições europeias, embora tivesse, por exemplo, elementos nacionais, como no caso do indianismo. Mas eram alguns personagens indígenas, com características morais europeias. Isso era o comum. Eu acho até que não tinha como ser diferente porque a Europa realmente era um parâmetro para os nossos literatos”, contextualiza. ...
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  • Medo da polícia de Trump leva brasileiros a abandonar o sonho americano pela metade e voltar ao país
    Nov 28 2025
    Eles chegaram aos Estados Unidos buscando segurança, estabilidade e o velho ideal do sonho americano. Mas, sob o endurecimento das operações migratórias do governo Donald Trump, muitos brasileiros agora fazem o caminho inverso: estão refazendo as malas, desfazendo planos e retornando ao Brasil antes da hora, movidos principalmente pelo medo de serem presos ou deportados. Luciana Rosa, correspondente da RFI de Nova York Medo, aumento do custo de vida e saudade dos que ficaram no Brasil. A história de Silvia Santos ajuda a ilustrar como fatores econômicos, familiares e emocionais têm pesado nas decisões de brasileiros que deixam os Estados Unidos. Moradora de Sarasota, na Flórida, ela embarca definitivamente no dia 10 de dezembro, levando consigo a filha de 9 anos. O destino é São Luís, no Maranhão, onde a mãe está gravemente doente e já perdeu movimentos, visão e parte da fala. O marido ficará nos EUA, trabalhando na área de logística, enquanto aguarda a aprovação do visto, um processo que se arrasta há meses. Silvia trabalhava fazendo entregas de comida nos horários de almoço e jantar, enquanto cuidava da casa, da filha pequena e mantinha uma filha adulta no Brasil, que depende da ajuda financeira da família. O orçamento, segundo ela, nunca fechou. “A gente vive para pagar conta. Não sobra”, diz. “E eu tenho a casa, as crianças, tudo nas minhas costas. Não tem comunidade aqui, não tem rede de apoio.” O medo das operações migratórias, no entanto, foi o que acelerou a decisão de voltar. Mesmo com número de Social Security e permissão de trabalho (work permit), Silvia conta que a insegurança só cresceu. “A gente já viu gente sendo deportada mesmo com processo em andamento. Eu não me vejo tão segura, sabe? Nesse momento, eu não ficaria ilegal aqui. Eu acredito que não vale a pena.” O temor maior é o de ser separada da filha em uma eventual abordagem. Ela cita casos recentes entre brasileiros na região. “A gente viu várias histórias de gente que já foi separada. Teve o caso de uma brasileira que foi presa e a filha não achava a mãe. Foi parar em outro lugar.” Para Silvia, o risco simplesmente “não vale a vida inteira”. A saúde da mãe, no Brasil, adicionou urgência ao plano. “Foi um conjunto de coisas. A doença da minha mãe, a família, tudo interferiu. Eu, hoje, não viria pra cá pra ficar na ilegalidade. Jamais”, reitera. Mesmo assim, Silvia diz compreender que os Estados Unidos precisam controlar suas fronteiras. “Eu concordo que tem que ter um controle, tem que ter critério”, afirma. “Mas a gente sabe que quem movimenta a economia é o imigrante: na construção, na limpeza, no delivery. E hoje até em áreas intelectuais. O meu marido é uma força intelectual que os Estados Unidos precisam.” Ela conta que tem visto, em Sarasota, sinais de deterioração social que antes não associava ao país. “Eu tenho percebido muito mais mendigo na rua. Muito mais do que quando cheguei”, observa. A decisão de voltar, diz Silvia, é também um gesto de proteção emocional. “Minha filha não tem infância aqui”, afirma. “A gente trabalha tanto que não vive. E eu quero que ela viva”, desabafa. ‘Eu saio de casa com medo’ Geovanne Danioti desembarcou nos Estados Unidos em 2022. Ele vive com a esposa, que é brasileira com residência permanente, e os dois filhos pequenos no interior do estado de Nova York. No dia 1º de dezembro, a família embarca de volta para o Brasil. Com o visto expirado, Danioti relata viver sob tensão constante. “Eu saio de casa com medo. Vou só do trabalho para casa. Aqui onde eu moro você só vê carro do ICE. Todo dia prendem cinco ou seis pessoas”, conta. Ele diz ter sido parado várias vezes pela polícia por infrações de trânsito. O estopim foi o caso de um amigo que trabalhava no mesmo hotel e acabou deportado durante uma audiência por uma infração de trânsito, mesmo estando legalmente no país. O temor de ser detido e a possibilidade de perder a guarda dos filhos, ambos cidadãos americanos, fez a família decidir deixar o sonho americano para mais tarde. “A gente não quer que nossos filhos passem por isso. Vamos resolver tudo no Brasil e, quando estiver legal, voltamos no ano que vem. Começo de 2027 no máximo”, explica. Quando o sonho americano se desfaz Para além dos relatos individuais, pesquisas recentes ajudam a dimensionar o medo que tem levado muitos imigrantes, inclusive brasileiros, a reconsiderar a permanência nos Estados Unidos. Um levantamento nacional realizado pela KFF (Kaiser Family Foundation) em parceria com o The New York Times, e divulgado em novembro, mostra que o receio de ações migratórias deixou de ser pontual e passou a fazer parte do cotidiano. Segundo a pesquisa, um em cada cinco imigrantes afirma conhecer alguém que foi preso, detido ou deportado desde janeiro. O estudo também revela que quatro em cada dez dizem ...
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