Entre Linhas e Leis Podcast Por ESA OAB SP arte de portada

Entre Linhas e Leis

Entre Linhas e Leis

De: ESA OAB SP
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O Entre Linhas e Leis é um podcast da Escola Superior de Advocacia da OAB SP, concebido pelo Coordenador Acadêmico, Erik Chiconelli Gomes, que propõe um encontro entre a literatura e o direito como espaços complementares de interpretação do mundo. A proposta é atravessar as fronteiras tradicionais da formação jurídica, convidando a escuta sensível, o pensamento complexo e o olhar atento às experiências humanas — sobretudo àquelas que revelam injustiças, disputas de poder e silenciamentos históricos.ESA OAB SP Arte Historia y Crítica Literaria
Episodios
  • #20 | Ao Farol, de Virginia Woolf
    Mar 2 2026

    Na casa de veraneio da família Ramsay nas ilhas Hébridas, Escócia, Woolf explora como temporalidade fragmentada da memória e da experiência subjetiva desafia pressupostos jurídicos sobre linearidade temporal e causalidade. A estrutura tripartite da obra - uma tarde expandida, uma década condensada em poucas páginas, uma manhã que completa jornada iniciada anos antes - revela que tempo psicológico não corresponde a tempo cronológico que organiza processos judiciais. Woolf mostra também como trabalho reprodutivo invisível de mulheres (representado por Mrs. Ramsay) sustenta estruturas sociais que esse trabalho não reconhece juridicamente, antecipando debates contemporâneos sobre economia do cuidado e trabalho não remunerado. Para advogados que trabalham com testemunhos de traumas onde linearidade narrativa é impossível, com questões de prescrição e temporalidade processual, ou com reconhecimento jurídico de formas de trabalho e propriedade que não se encaixam em categorias tradicionais, a obra oferece compreensão sofisticada sobre como categorias jurídicas de tempo, causalidade e propriedade podem ser inadequadas para capturar realidades humanas complexas.

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    30 m
  • #19 | O Homem sem Qualidades, de Robert Musil
    Feb 23 2026

    Na Viena de 1913, último ano de paz antes do colapso do Império Austro-Húngaro, o matemático Ulrich observa a "Ação Paralela" - comissão imperial criada para organizar celebrações do septuagésimo aniversário do Imperador Francisco José, mas que se torna microcosmo da paralisia burocrática que impedirá o império de responder efetivamente à crise que se aproxima. Musil documenta como hipertrofia normativa, fragmentação de competências, e burocratização extrema podem transformar instituições que deveriam decidir em máquinas de indecisão permanente. A obra oferece análise precoce de como direito pode se tornar autoreferencial, preocupado mais com seus próprios procedimentos do que com problemas sociais que deveria resolver. Para advogados que enfrentam morosidade judicial, fragmentação de competências entre múltiplos tribunais, ou burocratização que impede acesso efetivo à justiça, a parábola do império austro-húngaro oferece espelho perturbador que revela como mesmo sistemas juridicamente sofisticados podem colapsar por incapacidade de responder a desafios que seus próprios procedimentos tornaram invisíveis ou irresolúveis.

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    26 m
  • #18 | A Náusea, de Jean-Paul Sartre
    Feb 16 2026

    Em Bouville, cidade francesa fictícia às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Antoine Roquentin descobre através de experiência visceral de "náusea" a contingência radical de toda existência - incluindo a contingência das normas sociais e jurídicas que a burguesia local apresenta como necessárias e naturais. Sartre oferece crítica filosófica devastadora da má-fé: a tendência de apresentar escolhas políticas como fatos naturais, decisões históricas como necessidades lógicas, e estruturas de poder como ordens inevitáveis. A galeria de personagens que Roquentin observa - o Autodidata, os "salauds" burgueses, as autoridades locais - representa diferentes formas através das quais elites utilizam linguagem de objetividade e necessidade para ocultar natureza política de suas decisões. Para advogados que trabalham em contextos de crise institucional, lawfare, ou politização explícita da justiça, a análise sartriana oferece instrumentos conceituais para identificar e contestar quando decisões jurídicas que se apresentam como aplicações neutras de normas objetivas são na verdade escolhas políticas disfarçadas de inevitabilidade técnica.


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