Carta Mensal: Dr. Dólar
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Feliz Ano Novo! Historicamente, o “Dr. Dólar” tem sido um dos principais fatores das condições financeiras globais. A forte relação entre o dólar global e os ativos de risco é clara, inclusive no Brasil: desde 2003, todas as quedas anuais do Ibovespa ocorreram em anos de fortalecimento do dólar no mundo, enquanto a maior parte das altas coincidiu com períodos de dólar fraco.
Um dos debates centrais para 2026, portanto, é a direção do dólar global. Há vetores de curto prazo que apontam para enfraquecimento — como cortes de juros pelo Fed, menor diferencial de taxas e preocupações fiscais nos EUA —, mas também forças relevantes de sustentação, incluindo crescimento relativo americano, inflação mais resiliente e episódios de aversão a risco. A isso se soma uma mudança estrutural na política externa dos EUA: a atualização da Doutrina Monroe, que reposiciona o Hemisfério Ocidental como área estratégica prioritária e reforça o uso do poder econômico e financeiro, inclusive do dólar. Assim, embora o vento baixista possa soprar no início do ano, o movimento estrutural mais relevante pode seguir sendo o de um dólar forte no longo prazo, com implicações importantes para os mercados globais e para o Brasil.