O vereador de Belo Horizonte Helton Júnior (PSD) afirmou que o partido lhe dá liberdade política e evitou garantir apoio ao vice-governador Mateus Simões (PSD) em uma eventual disputa pelo governo de Minas Gerais. Em entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube, o vereador destacou que ainda é cedo para definições eleitorais.
Segundo o parlamentar, não há alinhamento automático dentro da sigla. “O PSD sempre me respeitou enquanto um quadro que é progressista, que tem pautas muito especificamente consolidadas e que tem autonomia para trabalhar essas pautas”, afirmou. De acordo com Helton, o apoio dependerá da consolidação das candidaturas. “É muito cedo falar de apoio, porque não tem candidatos consolidados ainda. Depois, quando tiver apresentado o projeto, tiver com candidatura registrada, aí sim [...] vou escolher um bom candidato a governador e irá apoiá-lo.”
Na avaliação da gestão do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, Helton Júnior classificou o desempenho como positivo e atribuiu “nota 8” ao governo. Ele também afirmou que, após desgastes no início da administração, voltou a integrar a base aliada. “A relação está positiva. Eu não levo nenhum tipo de mágoa [...] estou na base de novo e para contribuir”, disse. Apesar disso, ponderou que não há alinhamento irrestrito: “Os projetos que são importantes para a cidade a gente vai sempre apoiar. E aquilo que a gente entende que não é adequado, o nosso posicionamento segue firme.”
Um dos pontos de divergência no início da gestão foi o debate sobre a tarifa zero no transporte público. O vereador minimizou disputas políticas em torno do tema e elogiou a implementação da gratuidade aos domingos. “Eu não morro de vontade de ser o pai da criança. Para mim, o importante é que a coisa avance”, afirmou. Ele avaliou que a medida representa um avanço social. “Que bom que as pessoas podem usar. Que bom que gente simples que não tem recurso para poder pagar tarifa está podendo gastar aquele dinheiro com outra coisa”
Ao tratar do transporte público, o vereador criticou a falta de punição às empresas concessionárias. Segundo ele, há falhas na fiscalização do serviço. “A gente tem, por exemplo, nesse momento, mais de 36 mil multas que foram emitidas [...] que ainda não foram cobradas”, disse. Para o vereador, a ausência de penalidades compromete a qualidade do sistema. “Se eu fiscalizo, mas não penalizo, será que eu estou realmente fiscalizando?”
Na área cultural, o parlamentar falou sobre as dificuldades da Prefeitura de Belo Horizonte em captar patrocínios para o Carnaval. Ele avaliou que é necessário aprimorar o diálogo com o setor privado. “Eu entendo que talvez a divulgação pode melhorar, a interlocução da prefeitura com o setor privado pode melhorar”, afirmou. Apesar disso, defendeu a manutenção do modelo da festa. “O carnaval precisa acontecer [...] porque o ganho com o carnaval é muito significativo.”
Durante a entrevista, o parlamentar abordou também os impactos das chuvas na capital e a necessidade de adaptação diante das mudanças climáticas. Para ele, não é possível afirmar que a cidade esteja totalmente preparada para eventos extremos. “Nunca estaremos prontos. Estamos nos preparando”, disse. O vereador ressaltou que o cenário exige investimentos contínuos e planejamento permanente. “Sempre vai ter uma chuva pior [...] então é importante que isso seja contínuo para que a prefeitura realmente dê conta de preservar as vidas e evitar prejuízos.”